“Morte da música” levou Apple a comprar a Beats

Por Redação | 29.05.2014 às 10:04

Como muitos já esperavam, o serviço Beats Music foi mesmo um dos principais motivos para a aquisição da Beats Electronics pela Apple, confirmada nesta quarta-feira (28). Logo depois da oficialização do negócio, o vice-presidente de software e serviços da Maçã, Eddy Cue, se sentou ao lado do fundador da Beats, Jimmy Iovine, e revelou que a “morte” do setor musical é justamente o grande fator que levou ao negócio.

Como conta o Business Insider, Cue explicou que o número de novos lançamentos na plataforma iTunes vem caindo ano após ano, na mesma medida em que as vendas de faixas digitais estacionaram. Enquanto isso, artistas continuam cada vez mais usando plataformas de streaming para a revelação de suas novas canções, seja serviços como o Spotify, o próprio Beats Music ou até mesmo o YouTube.

Sendo assim, a Apple via com bons olhos o estreante serviço da marca, lançado em janeiro, e viu na aquisição uma boa maneira de garantir que ambos continuassem crescendo. Agora é hora de fazer com que os usuários de aparelhos da Maçã passem a ser também clientes da Beats, aproveitando o sistema de recomendação de canções e a plataforma de transmissão de música para fazer com que os negócios continuem prosperando nesse segmento. Hoje, o serviço tem cerca de 250 mil assinantes.

Apesar de não revelar detalhes específicos sobre como a união entre as plataformas vai se desenrolar, ou quando ela vai acontecer, Cue disse que a aquisição não se trata apenas da simples união de duas empresas. Segundo o executivo, estamos diante de algo maior do que isso, mas sem revelar exatamente o que é tão grande assim.

"Fones para testes"

Durante a entrevista, realizada durante a conferência Code, nos Estados Unidos, Iovine revelou que os primeiros contatos entre os criadores da Beats e a Apple aconteceram em 1999. Desde lá, o produtor musical lembra que sentiu que a empresa tinha uma forte conexão com o mundo da música e respeitava bastante todo esse universo. Apesar de pequenas parcerias ao longo do caminho, a oportunidade de trabalhar efetivamente juntos surgiu apenas agora, 15 anos depois.

Já do lado da Apple, foi a qualidade dos equipamentos de áudio da Beats que se destacou. Para Cue, a Beats está entre as melhores opções disponíveis no mercado atual. É justamente por isso que a empresa fundada por duas estrelas do mundo da música – o produtor Iovine e o rapper Dr. Dre – se destaca, apresentando produtos com foco no design e na qualidade sonora.

Apesar dessa aproximação toda, Iovine aproveitou para cutucar a Apple, criticando os fones da empresa e afirmando que eles são produzidos apenas para que o usuário possa testar o celular que ele acabou de comprar. Tudo em tom de brincadeira, claro, mas Cue se apressou em corrigir o colega, afirmando que mesmo assim, eles são os melhores equipamentos de áudio do mercado a acompanharem um aparelho na caixa.

A compra da Beats pela Apple é um dos maiores negócios já realizados pela empresa de Cupertino. No valor de US$ 3 bilhões, ele também representa uma mudança nas práticas da Apple, que não vai incorporar sua nova subsidiária. A ideia é que, pelo menos por enquanto, a Beats continue operando com seus equipamentos e serviços de maneira independente.