Mobilidade por quê?

Por Colaborador externo | 10 de Março de 2015 às 07h03

Por João Moretti*

Poucos de nós ainda se arriscam em uma viagem longa ou saímos à procura de um lugar desconhecido apenas com um endereço anotado em papel. Abandonamos quase por completo o costume do ‘onde é que fica’ e aos poucos vamos nos esquecendo da funcionalidade do telefone fixo. Na era das tecnologias móveis tudo que é fixo quase não tem espaço no cotidiano.

E se conseguimos otimizar tarefas simples com o apertar de botões, por que companhias e empresas insistem em processos morosos e ineficientes, que dificultam muitas vezes o desenvolvimento básico das funções e serviços? A meu ver, é quase inimaginável prestar serviços ainda sob moldes antigos. Uma cena pitoresca, por exemplo, é a visita de um técnico de internet ser adiada porque o mesmo não encontrou o endereço do cliente, ou pior, qualquer modificação requerida no momento da visita ter de ser feita em um prazo de 72 horas, porque é preciso que o técnico retorne a central para registrar a solicitação.

Agora, uma transportadora com um aplicativo corporativo pode controlar seus estoques, o fluxo de saída, planejar suas cargas, cruzar dados, desviar as rotas de entrega para melhorar prazos. Além disso, pode otimizar o transporte utilizando espaços disponíveis. Há plataformas, que auxiliam empresas no caso de compartilhamento de cargas, diminuindo desperdícios em um setor marcado por centenas de contêineres vazios cruzando o país.

Um aplicativo que viabilize a compra de um produto de forma mais ágil, um programa que agilize o processamento de informações, um aparelho que emita uma ordem de serviço on-line e mais, que permita ao cliente consultá-la sempre que necessário, e o exemplo há pouco citado, são apenas algumas entre as inúmeras possibilidades.

Um empecilho recorrente é o temor da não adaptação. Muitas empresas rejeitam aplicativos móveis corporativos na incerteza de que seus funcionários possam lidar com o novo. Claro que a capacitação e o treinamento precisam fazer parte do plano de implantação de qualquer novo método dentro do negócio e, no caso da tecnologia mobile esses processos devem ser reciclados com frequência. Ainda que a preocupação seja válida, disponibilizar aos funcionários conhecimento e formas inovadoras de atender ao cliente desenvolve o capital humano da empresa, que por sua vez interfere positiva e diretamente nos lucros.

Por fim, um empreendimento que queira se manter forte precisa acompanhar as mudanças que o cercam e adaptar-se a seus clientes. Segundo o estudo IDC Mobile Phone Tracker Q3, a venda de celulares inteligentes ultrapassou 15 milhões de unidades no terceiro trimestre de 2014. Um crescimento de 49%, quando no mesmo período o número de vendas de computadores e notebooks diminuiu 25% em relação ao ano anterior.

A chegada do século XXI e o desenvolvimento tecnológico interferiram em dinâmicas sociais, econômicas e culturais em todo o planeta. Na evidência de que estar em constante movimento é o que rege pessoas, mercados e governos, a empresa que ignora ou não reconhece a potencialidade das tecnologias móveis fica, realmente, parada no tempo.

*João Moretti, Head de Marketing da MC1 – multinacional brasileira com foco em processos e inteligência de negócios utilizando a mobilidade como plataforma tecnológica

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