Mobilidade é um dos principais focos do setor bancário, discutem CIOs

Por Rafael Romer | 21 de Junho de 2013 às 11h40

Atualmente, cerca de 60% dos brasileiros estão incluídos no sistema bancário — um índice considerado baixo. Em países como o Reino Unido, o índice já é de 97,2%. Neste ritmo, chegaremos ao patamar de nações de ampla bancarização apenas em 2021, quando, de acordo com as projeções, 90% da população terá contas em bancos.

Segundo especialistas da área, o sistema bancário brasileiro já é bem capilarizado e agências fixas já existem em quase todos os municipios do país. O desafio agora seria convencer pessoas não-bancarizadas a entrarem no sistema financeiro. Em entrevista para o Canaltech, Aurélio Boni, Vice-Presidente Executivo do Bradesco, afirma que parte do problema de bancarização do país ainda passa por uma dimensão econômica e social da população, já que grande parte das pessoas não-bancarizadas não tem condições de lidar com as taxas de manutenção de conta. “Nas classes D e E, 70% das pessoas têm alguma restrição para abertura de conta. São 50 milhões de pessoas com algum impedimento”, afirma.

Um dos caminhos para incluir estas pessoas no sistema financeiro é a mobilidade. No mês passado, o governo federal anunciou que pretende aumentar a bancarização da população de menor renda através de regulamentações de transações eletrônicas via celular. A ideia é que os serviços bancários permitam transações por meio de uma espécie de conta pré-paga via celular, que poderá armazenar dinheiro e fazer pagamentos e tranferências para outras pessoas e comerciantes. As contas também poderiam receber transferências de empresas, outras pessoas e até do governo.

Esse movimento já estaria em processo pelos bancos, que investem cada vez mais em áreas de mobilidade para ampliar a oferta de serviços e produtos. Pesquisas internas do Bradesco, segundo Boni, já apontam para uma mudança no tipo de atendimento dos clientes do banco. De 2011 para 2012, a média de pessoas circulando por agências diariamente manteve-se por volta dos 3 milhões. Por outro lado, o executivo afirmou que um número cada vez maior de correntistas passou a realizar operações via smartphones (3 milhões/dia) e Internet (7 milhões/dia).

Estimativas recentes mostram que até 2017, apenas 24% das transações financeiras vão ocorrer pelos canais considerados "tradicionais" (caixas em agência, auto-atendimento e call centers) no Brasil. O momento de virada deve ocorrer no ano que vem, quando a internet e meios mobile equivalerão a 42% das transações, contra 41% dos meios tradicionais. "O mundo hoje é isso, todo mundo está 24h conectado e a gente vê isso acontecendo na nossa sociedade de uma maneira muito acelerada", afirma Alexandre de Barros, vice-presidente da área de tecnologia do Itaú Unibanco para o Canaltech. "Se há um ponto que vai atropelar as demais curvas, é a mobilidade".

De acordo com o vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal, Joaquim de Oliveira, a questão da mobilidade não é só essencial para o sistema financeiro, mas já se torna uma responsabilidade para os bancos. “As pessoas querem cada vez mais acessibilidade, comodidade e facilidade", afirmou. "E o banco tem essa grande responsabilidade de atender e ofertar melhores experiências para seus usuários”.

Desafios do setor

Ainda assim, alguns desafios ainda ficam no caminho do avanço da questão da mobilidade financeira. Para Barros, esforços em direção à ampliação do mobile já estão sendo feitos por bancos, mas ainda esbarram em alguns problemas do Brasil: a baixa velocidade de conexão, as tarifações sobre serviços mobile e as próprias restrições financeiras da população.

Barros reconhece também que ainda há uma parcela “considerável” de correntistas que preferem ter algum contato periódico presencial ou remoto com seus gerentes. Segundo ele, muitas dessas operações feitas por clientes já poderiam ser realizadas por celular, mas alguma resistência ainda permanece. "Uma grande parte das pessoas que ligam hoje em um call center poderiam resolver o seu problema via mobile", explica.

Na leitura de Joaquim de Oliveira, parte do desafio também está na capacidade dos bancos tirarem um proveito maior de suas equipes de TI. Para o executivo, estes profissionais estão entre os principais responsáveis pelos negócios dos bancos e devem receber uma boa parte dos orçamentos das intituições para garantir seu funcionamento e desenvolvimento. "Quando todos os colegas voltam para casa, a TI está intensificando o seu terceiro turno, trabalhando, atendentendo cliente, fidelizando cliente", brinca. "Tecnologia faz negócios 24h por dia", conclui.

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.