Michael Dell fala sobre o fechamento de capital e seus planos para o futuro

Por Joyce Macedo | 26.09.2013 às 09:00

Poucos dias após ter conseguido a aprovação dos acionistas para "readquirir" a empresa que leva seu nome em uma transação de cerca de US$ 25 bilhões, Michael Dell falou ao AllThingsD sobre o fechamento de capital da companhia e seus planos futuros para a gigante do hardware.

A transação será concluída no final de outubro. Dell está otimista e acredita que a oportunidade nunca foi tão grande – mesmo com o mercado de PCs em declínio. Em relação a isso, o executivo prefere falar sobre o mercado global multitrilionário de TI, do qual os PCs representam apenas uma parte. Mas ele também faz questão de lembrar que a situação não está tão ruim para a empresa nesse segmento: "Pela primeira vez desde 2007, somos o número um novamente. Nós fomos os únicos a ganhar participação no mercado de PCs nos dois últimos trimestres. Nos servidores, estamos vendo ganhos, enquanto os outros caras viram declínios dramáticos".

Os PCs podem até ser uma peça-chave na fundação da Dell, mas com o fechamento do capital o executivo pretende transferir o foco para o fornecimento de uma gama completa de produtos e serviços que possam ajudar empresas a "fazer as coisas". Ele explica que a companhia está muito focada em aumentar sua capacidade de soluções end-to-end.

"No último trimestre, a divisão de servidores corporativos, armazenamento, serviços e segurança da Dell cresceu 9%. Nós vamos continuar a construir recursos com as áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D), aquisições e investimentos, e onde mais precisarmos de parcerias". Ele citou como exemplo os clientes da empresa na área de serviços de TI em Saúde, onde a Dell começou a ser reconhecida no ano passado, e também uma empresa de segurança que é propriedade da Dell e vale cerca de US$ 1 bilhão.

Michael também está ciente de que existe uma grande quantidade de clientes que a empresa ainda não atingiu, tanto demograficamente quanto geograficamente. Ele destaca que a companhia tem visto um crescimento significativo na presença de seus produtos e serviços entre pequenos e médios clientes empresariais, bem como em mercados emergentes.

"Temos um negócio de bilhões de dólares na África, que está crescendo rapidamente. Estamos ativos também no sul da Ásia. Estamos ampliando nosso apoio profissional para serviços de missão crítica em países como Gana, Cazaquistão, Costa do Marfim, Croácia e Nigéria. Todos estes países têm governos e empresas de telecomunicações, empresas financeiras e de energia, os quais precisam de soluções críticas de TI. Metade do nosso negócio hoje está fora dos Estados Unidos", disse.

Além de se ver livre da necessidade de atender às expectativas dos acionistas, Dell também está ansioso para pensar sobre a nova cara do seu negócio a longo prazo. Sem contar que a prática trimestral de comprar ações de volta e pagar dividendos destinados a satisfazer os acionistas impacientes será substituída por investimentos em todas as áreas de atuação da empresa. A volta por cima vai demandar muito trabalho duro, e uma das razões de Michael Dell decidir fechar o capital foi a de que isso permitiria que as mudanças na empresa fossem realizadas longe dos olhos e do julgamento do público.