Mercado de TIC volta a desacelerar no Brasil e cresce 5% em 2015, diz IDC

Por Rafael Romer | 22.01.2015 às 18:36

A empresa de consultoria de mercado IDC divulgou nesta quinta-feira (22) sua lista de previsões para o mercado brasileiro de TI e Telecom em 2015.

A expectativa é de crescimento, mas a expansão deverá ser de apenas 5%, movimentando US$ 165,6 bilhões no país em 2015. Este é o segundo ano que o setor brasileiro cresce na casa de um dígito. O número consolidado do crescimento de 2014 ainda não foi revelado pela IDC, mas a expectativa é que tenha ficado entre 7% e 8%. Na América Latina, o crescimento do setor de TICs deverá ser 5,7% no segmento de TI e 6% no segmento de telecomunicações.

De acordo com a consultoria, o resultado mais fraco em relação ao ano passado é fortemente influenciado pelo câmbio do dólar. Entretanto, o setor de TICs continuará crescendo acima do PIB brasileiro, o que a IDC vê como algo positivo e uma tendência observada principalmente nos mercados emergentes.

"É uma fase, [ainda] existe muita oportunidade para as empresas no Brasil crescerem, não existe o pleno uso de tecnologia", afirmou o gerente de pesquisas e consultoria de Enterprise da IDC Brasil, Pietro Delai. "Existe oportunidade de grande produtividade nas empresas com o uso de tecnologia. Isso faz com que a gente tenha um crescimento de TI maior que o PIB, porque um dos jeitos de fazer o PIB crescer é tornar as empresas mais eficientes".

As tendências em TICs para 2015

O crescimento das TICs deve ser puxado principalmente pelo setor de Telecom, que hoje é aproximadamente 80% maior que o mercado de TI no Brasil. Neste ano, a previsão é que o setor de telecomunicações atinja receita de US$ 104 bilhões, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

As principais receitas do setor, segundo a IDC, virão das ofertas de serviços móveis e também dos serviços profissionais para redes corporativas. De acordo com a consultoria, 2015 será o ano em que o 4G (LTE) deverá atingir massa crítica no país, atingindo 11 milhões de usuários, o que impulsionará um crescimento de receita de dados de 16,2%. Além disso, operadoras de telefonia também deverão intensificar suas ofertas de serviços corporativos, aumentando suas receitas de dados fixos e voz em redes convergentes.

De acordo com a consultoria, a segunda tendência é que parte considerável do investimento do setor de TICs no Brasil deverá vir da aquisição de novos equipamentos como computadores, tablets e smartphones. Serão US$ 27,5 bilhões investidos em cerca de 87 milhões de dispositivos, ou 45% do total de investimentos de TICs em 2015.

Em terceiro lugar, a IDC vê ainda um avanço da mobilidade corporativa com foco em processos. Atualmente, empresas entregam aplicações corporativas para executivos ou força de venda móvel, mas o novo foco deverá depender mesmo do nível do funcionário na empresa, mas mais do processo em que ele está envolvido. De acordo com a consultoria, 21% dos funcionários em grandes empresas (250 ou mais funcionários) contarão com aplicações móveis no Brasil neste ano.

O avanço da mobilidade e do BYOD também deverá levar à uma maior preocupação com segurança especializada. Os investimentos em endpoint security deverão somar US$ 117 milhões em 2015, puxados principalmente por uma maior preocupação de fabricantes e vendors em criar uma demanda por soluções de segurança móvel em empresas e consumidores.

Outra tendência que deverá avançar consideravelmente no país será a da Internet das Coisas: serão 130 milhões de "coisas" conectadas no Brasil até o final do ano – metade do total da América Latina. Os principais projetos deverão ficar restritos às grandes empresas (com mais de 500 funcionários), na busca por operações mais eficientes e reduções de custo – 19% das empresas afirmaram ter planos em IoT para os próximos 12 meses. Por ora, a tendência não deverá ser observada por consumidores finais.

O Big Data e analytics também retorna como uma tendência entre grandes e médias empresas em 2015, com a estimativa de investimentos no setor avaliada em US$ 788 milhões pela IDC. De acordo com a consultoria, 2014 foi um ano de aprendizado sobre os potenciais das tecnologias preditivas que, neste ano, devem ser mais utilizadas na linha de negócio para gerar valor às empresas.

Na parte de Data Centers, 2015 deverá ver um avanço considerável nas redes definidas por software (SDN), que deverão receber investimentos de US$ 411 milhões neste ano. A nova abordagem de gestão de harware através de software deverá ganhar espaço dentro de empresas por facilitar o provisionamento de redes conforme as demandas da companhia, em tempo real. Até 2018, a consultoria espera que investimentos em SDNs cresçam 13% ao ano.

A cloud pública também permanece no centro das atenções neste ano, que deverá observar um crescimento de receita de 50%. De acordo com a consultoria, 2014 criou bons cases de uso de cloud que deverão incentivar empresas a realizar projetos mais ambiciosos, como a passagem de sistemas core para a nuvem.

Por fim, a IDC acredita que haverá uma nova adequação do papel do CIO frente à linha de negócios. Segundo a consultoria, o deployment de projetos de tecnologias por áreas de negócios fora do alcance do CIO acabou gerando uma série de problemas para empresas, que agora terão que reaproximar o CIO destas operações para consertar erros de projetos encabeçados pelas linhas de negócios.