Mark Zuckerberg é intimado por tribunal iraniano

Por Redação | 28 de Maio de 2014 às 10h02

Um tribunal da província de Fars, no Irã, moveu uma ação contra o serviço de mensagens Whatsapp e o Instagram e intimou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg a comparecer a uma audiência para dar explicações a respeito de denúncias sobre violações de privacidade através dos aplicativos.

De acordo com informações da Reuters, as delações foram todas feitas por cidadãos do país que apontaram violações de privacidade nos dois apps de propriedade do Facebook.

Ruhollah Momem Nasab, diretor-adjunto da divisão da internet do Ministério de Cultura e Orientação Islâmica do Irã, assegurou em entrevista à agência iraniana ISNA que Zuckerberg terá que se defender da acusação de que os aplicativos violaram a privacidade de vários denunciantes.

"Com base nas ordens do juiz, o presidente sionista do Facebook (em referência à origem judaica de Zuckerberg) ou seu advogado deverá comparecer perante a corte para se defender ou compensar pelos danos causados. Esta é a prática comum no mundo todo", disse Nasab.

De acordo com o diretor do ministério, os dois aplicativos, assim como já acontece com o Facebook, serão bloqueados no país nos próximos dias.

O caso ressalta a dura luta do presidente iraniano Hassan Rouhani para aumentar as liberdades e demandas da Internet contra o Judiciário conservador que tenta impor controles mais rígidos. No mês passado, uma ordem do Grupo de Trabalho de Determinação do Conteúdo Criminal Online determinou que o WhatsApp fosse bloqueado por suas relações com o Facebook, rede social muito utilizada para denunciar fraudes nas eleições presidenciais de 2009 que mantiveram Mahmoud Ahmadinejad no poder. Mas Nasab conseguiu o veto da ordem.

Zuckerberg, cuja companhia é proprietária de ambos os serviços, dificilmente irá cumprir a "ordem" da corte iraniana. O país ainda enfrenta uma crise diplomática com a comunidade internacional devido a sua relutância em interromper o programa nuclear que é desenvolvido sem o aval da ONU.

Mesmo com as restrições do governo iraniano impostas à Internet, a população se utiliza de proxies para burlar o filtro e acessar o conteúdo proibido. Graças a isso grandes mobilizações foram e são realizadas na rede, como a #IranNetFreedom no mês passado, que alcançou os trending topics mundiais na luta do povo iraniano por mais liberdade de acesso à rede.

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