M-payment: quais as novidades do pagamento móvel para o futuro?

Por Colaborador externo | 21 de Novembro de 2013 às 12h10
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por João Moretti*

Toda tecnologia, em algum momento, foi alvo de dúvidas ou críticas. Essa é uma reação natural das pessoas ao novo, pois o desconhecido sempre traz um certo desconforto. Pense nas grandes invenções, como a eletricidade, a pólvora ou até mesmo a roda. Muitas pessoas olharam para estas novidades e sentenciaram: “isso não terá futuro”. Mas o fato é que quem arriscou criar estas inovações mudou a história da humanidade.

Um exemplo de tecnologia que acredito que será considerado um marco tecnológico – como o início do uso da internet, por exemplo – é o sistema de pagamentos via celular. O mobile payment, também conhecido como m-payment, possibilita que o usuário não precise mais “andar” com dinheiro ou cartões, pois o aparelho celular assume suas funções. No último dia 4, o Banco Central divulgou o marco regulatório dos meios eletrônicos de pagamento, que normatizará as transações financeiras por serviços móveis. As regras passarão a valer a partir de maio de 2014.

Muito se tem falado das possíveis consequências do m-payment para a economia e para os consumidores. Trata-se de um novo recurso tecnológico que pode facilitar, e muito, o cotidiano de compras de muitas pessoas e movimentar ainda mais a economia. A nova tecnologia enfrentará alguns desafios, mas o aumento do acesso às tecnologias móveis que temos hoje certamente será o grande primeiro passo.

Em 2013, a venda de smartphones superou a de celulares convencionais pela primeira vez no Brasil, segundo a consultoria IDC. Muitos já o utilizam como ferramenta de compras on-line, mas esse hábito deve ficar ainda mais em evidência nos próximos anos. O m-payment possivelmente irá substituir boa parte das compras realizadas com cartões de crédito. Quem não prefere ir até o mercado e pagar a conta apenas levando seu celular no bolso e deixando a carteira em casa? Além de ser mais fácil, também possibilita o acesso à fatura no mesmo instante da compra, permitindo um controle maior de suas finanças.

O que eu tenho visto com frequência nos debates sobre o tema são questionamentos referentes à segurança. As pessoas temem que seus dispositivos sejam roubados e que, com eles, o ladrão consiga “limpar” a sua conta bancária. Como já disse antes, é natural que as pessoas se sintam inseguras frente às novas tecnologias, mas existem formas de prevenir isso.

O mercado também está atento a essa mudança. Além da facilidade de vendas, deve haver a entrada de mais empresas no comércio. Micro e pequenos empreendedores, que muitas vezes trabalham apenas com cheques ou dinheiro, poderão oferecer para seus clientes mais esta facilidade. Além disso, devemos considerar que há um público em potencial que pode ser incluído, em longo prazo, nessas compras: as pessoas que não possuem conta em banco. Isso porque o pagamento através do m-payment não é necessariamente associado às instituições bancárias.

O mobile payment também aparece como uma alternativa para o Estado realizar pagamentos a beneficiários de programas governamentais. Precisamos lembrar que muitos brasileiros não têm conta em banco, mas muitas vezes possuem celulares de mais de uma operadora. Isso facilita as transações financeiras, principalmente para as comunidades mais afastadas.

As previsões são otimistas. Estamos vivenciando uma significativa mudança nas nossas formas de pagamento. O tempo nos dirá como essas funcionalidades ajudarão realmente nosso cotidiano, mas é só olhar para nossa história para notar que a tecnologia tem potencial para nos surpreender e para fomentar uma sociedade ainda mais moderna. É esperar para conferir.

* João Moretti é diretor geral da MobilePeople – empresa especializada em soluções móveis corporativas

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