Level 3 aposta em consolidação de produtos de CDN no Brasil

Por Rafael Romer | 15 de Maio de 2014 às 15h14

A empresa do setor de serviços de rede e telecomunicações Level 3 realizou nesta semana um encontro com a imprensa para discutir quais devem ser as principais oportunidades de negócios que enxerga para o mercado brasileiro e latino-americano neste ano.

Puxada principalmente pelas novas demandas do mercado móvel, uma das apostas da empresa é em em seus Produtos de Redes de Distribuição de Conteúdo (CDN). A expectativa é que o crescimento no consumo de dados em setores como comércio eletrônico, entretenimento, educação e bancário, assim como a necessidade de otimizar o fluxo de dados, devem trazer uma série de novas oportunidades de negócios no setor da empresa, que já prevê novos produtos e serviços de CDN no seu portfólio.

"A gente começa a ter novas funções dentro da CDN. Na parte de aceleração e direcionamento para mobile, são funções relativamente novas", explica Christiane Nicoletti, especialista em produtos de CDN da Level 3. "Agora a gente começa a perceber uma procura maior por mobile. As empresas não controlam o 3G, mas querem criar uma experiência boa para o usuário".

As CDN são consideradas um espécie de "guarda-chuva" de ferramentas para a entrega de conteúdo ao usuário final, que podem otimizar o tráfego de rede, diminuindo o tempo de carregamento de conteúdo na internet através do uso da rede global e dispersa de servidores de conteúdo.

Para avançar no mercado, a empresa aposta no tamanho de sua infraestrutura de rede, que tem um dos maiores backbones do mundo. Para Christiane, isso acaba trazendo uma vantagem para empresa por controlar não só a CDN, mas também os links. "Hoje no mercado a gente é a única operadora que tem uma oferta global de CDN", afirma.

A empresa não abre detalhes de faturamento sobre suas diferentes áreas de atuação local, mas os setores de Serviço de Dados IP e de Serviços de Transporte de Fibra Óptica, ambos dentro dos serviços de distribuição de conteúdo, representaram respectivamente 38% e 35% do faturamento de 2013.

Alguns cases de adoção de seus sistemas de CDN ao redor do mundo já foram divulgados pela empresa. De acordo com a executiva, no Brasil os setores de e-commerce e entretenimento são os mais fortes para sistemas de CDN. A Level 3 divulgou atualmente o case de sua parceria com a Dafiti, do setor de moda, que passou a utilizar a CDN para sua plataforma de e-commerce para monetizar reduzindo o custo do tempo de carregamento da página. "O e-commerce é muito sensível a qualquer variação", diz a executiva.

No início do ano, a empresa divulgou também o case de sua rede de distribuição de conteúdo implementada na varejista de calçados europeia Camper, que gerou uma melhora de desempenho de 60% no tempo de carregamento de página, através de uma melhora na experiência de compras online.

Sediada na Espanha, a verejista tem hoje cerca de 300 lojas e 4 mil pontos de vendas distribuídos entre 40 países, mas aposta em uma estratégia de e-commerce para elevar o volume de vendas. Com a velocidade elevada por meio do uso dos pacotes de dados gerados pela CDN, a empresa conseguiu aumentos de até 40% no volume de vendas em determinadas regiões.

No setor de entretenimento, outra área forte para os sistemas de CDN da empresa é o de trasmissão de vídeos, que até o ano passado tinha a Netflix como um dos maiores clientes. No início de abril, a empresa revelou novos serviços de streaming de vídeo em nuvem, para transporte, armazenamento e fornecimento de transmissão de imagens HD em escala global. A infraestrutura criada para suportar a operação inclui fornecimento global através de sistemas CDN da Level 3.

A empresa anunciou recentemente a ampliação de sua infraestrutura na região para suportar a expansão de novos negócios, assim como o suporte ao aumento de demanda de atuais clientes. Em março, a empresa divulgou a construção de um novo cabo submarino que conectará a Colômbia à sua rede internacional.

A nova rota submarina deve não só aumentar a eficiência e acesso a serviços de comunicação do país, mas também servir como via de transmissão de dados internacional, que se conectará a capitais como Cidade do México, Santiago, Buenos Aires e São Paulo.

Atualmente, a Level 3 possui uma rede que se estende por 170 mil Km entre cidades, com 58 mil Km de rotas metropolitanas e 53 mil Km em rotas submarinas. Na América Latina, a empresa está presente em 11 países e cobre aproximadamente 200 cidades da região. No Brasil, são três data centers: em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

A empresa apresentou um faturamento mundial de US$ 6,3 bilhões no ano passado, sendo US$ 754 milhões na América Latina – um crescimento de 5,9% frente ao ano anterior.

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