Jovem que trabalhava na fabricação de iPhones teria morrido por exaustão

Por Redação | 13.03.2015 às 13:35
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Uma grave denúncia contra a Apple foi feita nesta semana pelos familiares de Tian Fulei, um jovem de 26 anos que trabalhava para a Pegatron, uma das principais parceiras da Apple na fabricação de iPhones. Ele foi encontrado morto no início de fevereiro no dormitório que dividia com os amigos nas proximidades da capital Xangai e, agora, os entes próximos afirmam que a causa teria sido a exaustão após longuíssimas jornadas de trabalho.

De acordo com o jornal Daily Mail, a causa oficial apontada pelos médicos seria de “morte súbita”, mas uma autópsia não teria sido realizada. Os familiares, agora, denunciam o caso e apontam uma relação entre o falecimento e os turnos de 12h de trabalho, sem descanso nem folgas semanais, que Fulei enfrentava na produção de iPhones para exportação e atendimento da alta demanda pelos aparelhos ao redor do mundo.

De acordo com Tian Zhoumei, a irmã mais nova da vítima, Fulei estava saudável e não apresentava problemas de saúde até algumas semanas antes de morrer, quando iniciaram-se os turnos absurdos. Ele foi encontrado após colegas de trabalho desconfiarem de sua falta ao serviço, justificada com uma suposta gripe. O jovem teria morrido pela manhã, mas seu corpo foi apenas localizado à noite.

De acordo com a família do rapaz, como um gesto de bondade, a Pegatron teria entregado uma quantia de Y$ 80 mil, cerca de R$ 24 mil. Após o falecimento, eles teriam retornado à Província de Shandong para trabalhos agrícolas, mas com o tempo, ficaram inconformados com a falta de suporte e informações claras sobre o caso por parte da empresa. Daí veio a decisão de falar com a imprensa, mas não entrar na justiça em busca de mais indenizações, por exemplo.

A companhia, claro, nega a relação entre a morte de Fulei e as jornadas de trabalho. De acordo com as informações do Daily Mail, ele recebia o salário mínimo dos funcionários de linhas de montagem, Y$ 1.800, menos de R$ 600 em moeda local. A própria Apple também não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

De acordo com Zhoumei, seu irmão trabalhava para juntar dinheiro e voltar para sua terra natal. Ele também estaria planejando se casar com a namorada em maio e, justamente por isso, teria aceitado aumentos irreais em seus turnos de trabalho. Mesmo que voluntário, esse tipo de atitude é ilegal já que, segundo as leis chinesas, nenhum funcionário pode trabalhar mais do que 36 horas extras, nem ultrapassar a marca de 60 horas de expediente por semana.

O caso lança ainda mais denúncias sobre uma preocupação constante das empresas de tecnologia: as condições de trabalho em seus parceiros de produção. De um lado, está a gigantesca demanda por smartphones e outros equipamentos – algo que é verdade principalmente quando se trata da Apple. De outro, a necessidade de se pagar mais barato pelos serviços. Em ambos os casos, a conta acaba sendo debitada nos funcionários, que ganham pouco e, muitas vezes, se submetem a longas jornadas para tentarem sair da miséria ou por serem obrigados por seus empregadores.

Uma reportagem recente da BBC, por exemplo, colocou repórteres infiltrados em linhas de produção de equipamentos de tecnologia e flagrou funcionários literalmente caindo de sono enquanto trabalhavam. Em resposta, a Apple disse que trabalha ao lado de seus parceiros de fabricação para garantir melhores condições de trabalho, e que toma todo o cuidado para punir aqueles que não respeitam às leis chinesas e também a normas próprias de segurança e bem-estar.

A Pegatron não voltou a falar sobre o caso de Fulei. A empresa é responsável pela montagem de iPhones e iPads, empregando cerca de 80 mil pessoas em diversas unidades no território chinês.