Implantes cerebrais prometem curar pacientes que sofrem de depressão

Por Redação | 27.11.2014 às 17:30

A tecnologia tem sido constantemente usada para melhorar a qualidade de vida das pessoas, seja proporcionando entretenimento, seja oferecendo meios para a cura ou alívio das dores de algumas doenças. Agora, um novo tratamento prevê o implante de estimuladores elétricos no cérebro que prometem diminuir os sintomas e até acabar com a depressão.

A doença atinge cerca de 10% da população mundial pelo menos uma vez na vida e pode ser dividida em diversos graus. Enquanto algumas pessoas sentem depressão por alguns dias ou meses após um evento traumático, outras convivem com os sintomas por anos ou mesmo por toda a vida - e é justamente esse segundo grupo de pacientes que mais pode se beneficiar com o novo método.

Segundo o Make Use Of, a grande questão do novo tratamento, que pode ser considerado mais avançado, mas também de maior risco, é que ele tem surtido efeito em casos onde os antidepressivos tradicionais não estão sendo eficazes ou não atendem às expectativas do tratamento.

No novo tratamento que está em fase de testes, o implante desfere descargas elétricas para estimular as regiões do cérebro responsáveis pela regulação do humor. Em muitas casos, este estímulo tem tido um efeito antidepressivo e pessoas com graus avançados de depressão ou que não estavam respondendo aos medicamentos tradicionais conseguem voltar a realizar tarefas diárias e seguir com a vida.

O método de estímulo cerebral direto também tem sido testado e indicado para amenizar sintomas de outras doenças como Parkinson, síndrome de Tourette, epilepsia e dor crônica, mas é importante ressaltar que o grau de sucesso do tratamento ainda tem variado muito de acordo com a doença e paciente.

O sistema mecânico usado para realizar o estímulo é, aparentemente, simples: pequenos eletrodos são inseridos no cérebro por meio de orifícios perfurados no crânio. Eles são controlados por um pequeno dispositivo que é colocado sob a pele na altura do peito, que gerará os impulsos que serão enviados por fios aos eletrodos. O aparelho ainda permite que o paciente ligue e desligue a corrente elétrica, podendo interromper e reiniciar o tratamento quando for conveniente.

Embora pareça bastante promissor, os próprios pesquisadores disseram que ainda não compreendem completamente como o estímulo acontece e as possíveis consequências disso a longo prazo. No entanto, até agora, os relatos de pessoas com depressão que estão testando o tratamento são positivos. De maneira geral, eles disseram que grandes mudanças aconteceram graças ao novo tratamento.

Mesmo assim, alguns mais céticos afirmam que o método tem mostrado melhorias sólidas em alguns pacientes, mas com resultados semelhantes aos tratamentos não invasivos. Dessa forma, seria desvantajoso continuar investindo em um tratamento mais arriscado, complicado e caro que apresenta os mesmos resultados dos medicamentos disponíveis atualmente no mercado.

O risco também é um fator relevante. Mesmo que até agora nenhum problema tenha sido relatado, procedimentos que incluem fazer furos no crânio são considerados mais arriscados e invasivos, mesmo com as precauções necessárias. Há também riscos com infecções causadas pelo hardware implantado ou mesmo hemorragia no cérebro.

Mesmo com as opiniões divergentes sobre a eficácia da novidade, é possível acreditar que, com o constante avanço médico e tecnológico, o método será aprimorado e terá sua eficácia melhorada com novos estudos e pesquisas que sustentem seus benefícios.

E embora muitos apontem que os resultados obtidos até aqui são semelhantes aos alcançados com os medicamentos tradicionais, vale a pena lembrar que pacientes que não se deram com os remédios têm se beneficiado do método. Portanto, é difícil imaginar que algo desse tipo será descartado como uma alternativa para quem sofre de depressão profunda e que não consegue tratamento por vias menos invasivas.

Fonte: http://www.makeuseof.com/tag/brain-implants-promise-eradicate-depression-humanity/