IDC divulga 10 previsões para indústria brasileira de TI e Telecom em 2014

Por Rafael Romer | 05.02.2014 às 18:15 - atualizado em 06.02.2014 às 10:29

A empresa de análise de mercado IDC anunciou nesta quarta-feira (5) suas dez previsões para o mercado brasileiro de TI e Telecom em 2014. De acordo com a pesquisa, neste ano o país deverá se consolidar como o quarto maior mercado de TICs do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão, e com um crescimento previsto de 9,2%. Até o final do ano, US$ 175 bilhões (cerca de R$ 422 bi) devem ser investidos no setor no Brasil.

1. Tomadores de decisão influenciarão na TI

Para a empresa, 2014 deve ser o ano no qual executivos de negócios deverão cada vez mais opinar e influenciar sobre as direções da TI dentro de suas empresas, conforme a tomada de decisão de CEOs, CFOs e CMOs fica mais próxima das soluções providas pelo setor dentro da companhia. A consultoria estima que cerca de US$ 6 bi dos investimentos de TI que empresas brasileiras farão neste ano deverão sair dos orçamentos de setores de negócios.

2. Empresas devem focar em upgrade de redes de dados

O IDC prevê ainda que empresas deverão focar no upgrade de suas redes de dados para acomodar uma série de novos devices e aplicações que passarão a fazer parte dos ambientes corporativos. De acordo com a consultoria, o volume de informações digitais deve atingir a impressionante marca de 5,4 zettabytes em 2014, o equivalente a 5,4 trilhões de gigabytes. Somente com a atualização para redes mais rápidas e melhores as empresas serão capazes de comportar a demanda de velocidade de novos switches, que devem atingir uma média de 10 Gbps neste ano.

3. Telefonia fixa terá queda de receita de voz

De acordo com a consultoria, o mercado de telefonia móvel deve assistir a uma expansão ampla no país, puxada principalmente pela adoção de novos dispositivos como smartphones e tablets por camadas maiores da população. Com a expansão da chamada terceira plataforma de TI, operadoras de telefonia também devem passar a ofertar cada vez mais serviços, e passarão a ter a oferta de dados como sua peça central de vendas.

Serviços móveis terão um crescimento de receita considerável em 2014, de 21% e 11,4%, para dados móveis e voz móvel, respectivamente. Do outro lado, a telefonia fixa terá um crescimento mais modesto no setor de dados, de 9,7%, e deve apresentar até uma queda no setor de voz, de -2,4%, de acordo com a IDC. "O ponto central é que dados serão agora a oferta principal para o setor de serviços", afirmou João Paulo Bruder, coordenador de Telecom da IDC.

Consequência ainda desta demanda por infraestrutura de redes móveis, o setor de data centers de Telecom também deve crescer em 13%, considerado um crescimento "maduro" para um mercado que demanda altos volumes de investimento. As redes 4G (LTE), que estão presentes atualmente em cerca de 70 municípios brasileiros, deverão também entrar em atividade comercial plena, atingindo 3 milhões de usuários até o fim do ano.

4. Big Data se consolida entre empresas

Tendências amplamente discutidas em 2013, o Big Data e Analytics devem continuar a ganhar espaço entre empresas, conforme essas amadurecem a ideia de aplicar as ferramentas em seus negócios. Segundo o IDC, os gastos no setor deverão atingir US$ 426 mi em 2014 no Brasil, puxados pelos setores de varejo, Telecom e finanças. A IDC não divulgou a porcentagem de crescimento do setor, mas afirma que será de "dois dígitos". "O carro chefe desses investimentos será no socialytics, que é o conjunto de análises e dados de interações sociais", disse o Coordenador de Software da IDC, Luciano Ramos.

No entanto, permanece o desafio de se encontrar mão-de-obra qualificada, ainda escassa, para trabalhar com esse fluxo de informações – os chamados cientistas de dados. "São profissionais ainda em formação, que estão entendendo qual o seu papel dentro desta tecnologia e o que eles têm que gerar de valor para as empresas", explicou Ramos. Para isso, a consultoria prevê que empresas deverão elas próprias investir em programas de capacitação para integrar esses profissionais em seus ambientes.

Com o crescimento da demanda, também será necessário que os provedores de soluções de Big Data se especializem para mostrar o valor de se integrar esse tipo de solução para empresas e quais suas vantagens em relação a analytics tradicionais elas trazem.

5. Demanda por infraestrutura expandirá data centers

O cenário de expansão das TICs no Brasil deve demandar um novo surto de infraestrutura no país, que terá que renovar e expandir os data centers locais. A previsão é que mais de 20% dos servidores vendidos no Brasil em 2014 sigam para data centers.

Para a IDC, por serem investimentos de alto custo, grande parte das empresas deve focar seus esforços na otimização técnica, elétrica e de gestão de data centers já existentes em vez de investir em novos centros. "Eu tenho mais demanda, por outro lado existe uma pressão de custo muito forte dentro da indústria, as áreas de TI não têm um orçamento elástico", explica Pietro Dalai, Manager Enterprise da DCI. "Vai ter que se buscar uma melhoria de eficiência".

De acordo com a pesquisa, a legislação brasileira também deve incentivar a presença de data centers no Brasil. É possível que ainda neste ano seja aprovada a nova legislação que exige que empresas atuantes no Brasil armazenem dados localmente, e não em data centers no exterior. Outro mercado que também puxa a demanda por data centers é o de startups brasileiras, que já não compram seus próprios servidores e contratam serviços de hosting ou colocation desde o princípio.

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Até o final do ano, US$ 175 bilhão (cerca de R$ 422 bi) deve ser investido no setor de TICs no Brasil (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

6. Novas aplicações alavancarão cloud pública

A empresa prevê ainda um aumento de demanda pela cloud pública e híbrida conforme empresas se conscientizam e aprendem mais sobre o ambiente em nuvem. Dados apontam que o setor de cloud pública deverá atingir investimentos de US$ 569 mi, puxado principalmente por SaaS (Software as a Service) e pela necessidade de atualização de sistemas de gestão antigos. "Muita empresa vai pensar assim, 'tenho que atualizar minha versão de ERP e CRM. Por que já não ponho na cloud?'", afirma Dalai. A IDC estima que até 2017, o setor de cloud pública deverá movimentar US$ 2,6 bi no país.

Ainda em estágio de adoção, companhias devem relegar seus sistemas menos críticos à nuvem pública, como camadas de apresentação, que podem se beneficiar da velocidade da tecnologia sem comprometer sistemas de segurança maiores – esses, de acordo com o IDC, deverão ainda permanecer em ambientes fechados ou clouds privadas.

7. Dispositivos móveis devem eclipsar desktops e notebooks

O Brasil deverá também assistir a um avanço grande de dispositivos móveis, que deverão crescer mais do que tecnologias tradicionais como desktops e notebooks.

De acordo com os dados da pesquisa, os dispositivos móveis devem representar 81% dos chamados smart connected devices (categoria que reúne smartphones, tablets, desktops e notebooks) a partir deste ano. Em números sólidos, a categoria bateu a marca de 57 milhões de unidades em 2013, no total. Neste ano, a expectativa é que o mercado pule para 71 milhões.

Em 2010, tablets e smartphones representavam apenas 26% do total no Brasil. A média mundial para 2014 é de 83%, contra 46% em 2010, o que mostra a velocidade com que tais devices foram adotados no país. "Até quatro anos atrás, o Brasil tinha um gap de adoção de tecnologias em relação ao mercado mundial. Se a gente olhar para 2014, há uma grande tendência de mudança do ponto de vista de adoção e de maturidade", afirma o analista de dispositivos da IDC, Bruno Freitas.

Do outro lado, o mercado de feature phones, que já vem observando quedas no número de vendas há dois anos, deve continuar restrito a preços até R$ 300, mas ainda é estimulado pela chegada principalmente de empresas chinesas que trazem novos modelos em seus portfólios.

Segundo o analista, entretanto, apesar da tendência de crescimento de 36%, smartphones e tablets terão neste ano um aumento de vendas bem menor do que o observado no ano passado, quando o valor foi de 120%. "Em 2013 tivemos uma explosão, então é natural termos uma base de crescimento mais conservadora neste ano", afirma Freitas.

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8. Foco na mobilidade não tem mais retorno

Na rasteira da penetração de dispositivos móveis no país, tendências de mobilidade como o BYOD (Bring Your Own Device) também deverão entrar na lista de prioridades de CIOs, de acordo com a IDC. "As empreas já perceberam que não tem jeito, há dois anos muitas ignoravam a adoção do usuário trazer o dispositivo", explica Freitas. "Mas o movimento foi tão forte por parte dos usuários que as empresas perceberam que precisam de uma estratégia de atuação".

Só neste ano, 5 milhões de novos dispositivos móveis deverão ser trazidos para dentro de empresas no Brasil, o que forçará a adoção de estratégias de integração e segurança por parte dos usuários em plataformas de MDM.

9. Mobilidade empresarial puxada por trabalhadores remotos

A mobilidade também será umas das prioridades para CIOs em 2014 na área de enterprise mobility, de acordo com as previsões da consultoria. Deve crescer neste ano o número dos chamados "mobile workers" no país, que utilizam dispositivos corporativos e trabalham remotamente em serviços de vendas ou atendimento ao cliente. Desta forma, a IDC prevê que atualizações de plataformas e aplicações móveis para esses trabalhadores devem ser desenvolvidas dentro das empresas.

10. Internet de Todas as Coisas com foco em negócios

Por fim, o Brasil deverá ter um aceleramento das tecnologias da Internet de Todas as Coisas através de aplicações B2B (Business to Business). Segundo a pesquisa, o setor deverá movimentar US$ 2 bi em 2014.

Essa tendência, em um primeiro momento, não deve se aproximar muito do usuário final, mas terá grande expansão em áreas como gerenciamento de frotas, setores de saúde, seguros automotivos, automação de processos e energia.