IBM vai criar software de saúde altamente personalizado

Por Redação | 19 de Novembro de 2014 às 16h30

Depois de "entregar" suas informações pessoais, fotos e até a senha do banco para a internet, é hora de abrir também o seu DNA. Em uma iniciativa que mais parece saída de um filme de ficção científica, a IBM está anunciando uma parceria com a startup Pathway Genomics para criar um software de saúde altamente personalizado, que vai utilizar a configuração genética de cada usuário para entregar recomendações e dicas de cuidado com o corpo.

Por meio do sequenciamento e análise do DNA dos usuários, unido ao sistema Watson de inteligência artificial, desenvolvido pela IBM, o software para smartphones será capaz de analisar as informações e entender as necessidades de cada usuário. Assim, poderão saber exatamente qual o momento de tomar uma injeção de insulina, no caso dos diabéticos, ou o tempo exato de exercícios que precisa ser realizado para queimar as calorias daquele almoço mais reforçado. E estes são apenas dois exemplos.

O aplicativo já tem nome: Panorama, e deve ser lançado em meados de 2015. A ferramenta será paga, mas a IBM pretende investir em um sistema de assinaturas com “valor reduzido”, de forma a difundi-lo entre os usuários. Quem toca boa parte do desenvolvimento é a Pathway Genomics, que recebe financiamento – de valor não revelado – e suporte técnico da fabricante.

De acordo com a IBM, a ideia é unir informações que muita gente já tem disponível. Com a chegada de tecnologias vestíveis voltadas para fitness e tratamentos que envolvem a análise genética - e, claro, cujos dados são armazenados de forma digital -, a empresa deseja unir todas essas informações em um só lugar. Mais do que isso, quer entregar diagnósticos e indicações de maneira simplificada, sem que o usuário precise se submeter a literaturas médicas ou pesquise no Google e corra o risco de achar que está com câncer, quando na verdade tem apenas uma enxaqueca leve.

Só que há um lado polêmico nessa história. Como cita o site Popular Science, o aplicativo deve levantar implicações legais e causar a ira de profissionais da medicina. Tudo devido ao fato de que as indicações que as empresas desejam que ele faça ficam sempre à cargo de médicos e especialistas, uma vez que se tratam de diagnósticos complicados. Até que ponto o software será preciso? E como as empresas irão divulga-lo sem que ele soe como uma alternativa aos cuidados tradicionais?

É um caso que, por exemplo, já recebeu a atenção da FDA, a agência americana que regula o lançamento de medicamentos, alimentos e equipamentos médicos no país. No ano passado, ela enviou uma ordem judicial para que a startup 23andMe parasse de realizar diagnósticos médicos por meio de um sistema online. Isso se deve à existência de uma lei que, nos EUA, obriga a presença e assinatura de um médico licenciado na hora da emissão desse tipo de documento.

Teoricamente, a mesma norma se aplicaria ao Panorama, e a Pathway Genomics se defende afirmando que a presença de profissionais para a realização de sequenciamento genético e inserção de dados no sistema só poderá ser feita por profissionais. Assim, sempre existirá uma assessoria por trás e, mais do que isso, as empresas sempre instruirão seus usuários a procurarem ajuda profissional no caso de qualquer enfermidade.

O objetivo aqui, de acordo com as companhias envolvidas, é simplesmente facilitar a vida das pessoas e prestar assessoria para a prática de exercícios e cuidados, como o uso de medicamentos. E nada mais do que isso, o que, teoricamente, nem mesmo envolveria a FDA, algo que para a IBM e a Pathway, é uma ótima notícia.

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