IBM quer comercializar transistores de nanotubos de carbono até 2020

Por Redação | 03.07.2014 às 11:20

As grandes empresas de tecnologia trabalham para que seus recursos em hardware fiquem cada vez menores e mais velozes. Avanços significativos já foram feitos, sendo possível chips de 14 nanômetros, como os da Intel, produzidos com silício. Mas a IBM está almejando algo muito maior, ou melhor, menor: a empresa pretende comercializar transistores de carbono com cinco nanômetros até 2020.

A continuidade no processo de miniaturização dos chips é o objetivo da equipe comandada por Wilfried Haensch, que trabalha no centro de pesquisas T.J. Watson da IBM em Yorktown Heights, Nova York. Para o pesquisador os nanotubos são os únicos recursos tecnológicos que permitem avanços para a produção de transistores menores e mais rápidos, segundo as informações do MIT Technology Review.

A IBM fez em 1998 os primeiros avanços no uso de nanotubos de carbono para fabricar transistores, agora a empresa está comprometida que esta tecnologia seja comerciável ainda nesta década.

A ousada meta foi imposta pela equipe de Haensch com o objetivo de manter viva a Lei de Moore, de 1965, que diz que a quantidade de transistores em um circuito integrado dobraria a cada 18 meses. Atualmente como o menor transistor é de 14 nanômetros, será necessário que em 2020 a indústria tenha um de até cinco nanômetros para manter viva a Lei de Moore.

O desenho escolhido para o transistor leva em consideração simulações que avaliaram o desempenho de um chip com bilhões de transistores. As simulações feitas sugerem que o nanotubo de carbono será cinco vezes mais rápido que um de silício usando a mesma quantidade de energia.

No formato escolhido pela IBM haveriam seis nanotubos alinhados em paralelo formando um único transistor, cada um deles com 1,4 nanômetro de largura e 30 nanômetros de comprimento com um espaçamento entre eles de oito nanômetros. É exatamente esse espaço entre os nanotubos que não foi solucionado pela IBM - a empresa não conseguiu encontrar até o momento uma forma de posicionar os nanotubos próximos o suficiente.

Embora a IBM ainda não tenha conseguido desenvolver os transistores de nanotubos de forma que eles possam ser produzidos em massa, houve grandes avanços na área de semicondutores.

Os pesquisadores não estão certos que seja possível ter transistores de nanotubos fora de seus laboratórios até 2020. Mas para James Hannon, chefe de montagens de dispositivos moleculares da IBM, se até pouco depois de 2020, que seria quando a indústria iria precisar deste recurso, ele ainda não estiver disponível, talvez se torne obsoleto para o futuro e uma janela se feche.

Para Hannon se esses avanços não forem alcançados com os nanotubos de carbono, não há muitos outros materiais que mostrem potencial para substituir os transistores de silício. Ele sugere dispositivos que usam manipulação de spin dos elétrons, no entanto afirma que essa tecnologia está menos madura e não se comporta da mesma forma que os transistores de silício.

Será necessário esperar mais alguns anos para ver se as pesquisas da IBM permitirão que tenhamos transistores de cinco nanômetros disponíveis no mercado. Mas há também que se pensar, como manter a Lei de Moore depois disso?