IBM nega envolvimento em espionagem da NSA

Por Redação | 18.03.2014 às 15:07

Em um comunicado oficial escrito por seu vice-presidente de assuntos jurídicos, Robert C. Weber, a IBM negou qualquer participação no escândalo de espionagem ostensiva praticado pela NSA. No texto, a empresa nega a entrega de qualquer tipo de informação de seus clientes para órgãos governamentais e diz nunca ter participado de maneira alguma de operações de vigilância ostensiva.

A declaração vem em resposta a algumas das revelações iniciais do ex-analista da NSA Edward Snowden. Segundo ele, o governo norte-americano teria repassado altas somas em dinheiro para empresas como Google, Facebook, Yahoo!, Microsoft e a própria IBM em troca de sigilo e abertura para os esforços de vigilância sobre cidadãos americanos que estavam sendo realizados pela agência.

Segundo Weber, a IBM simplesmente não trabalha desta maneira e em nenhum momento entregou informações sobre sua base de usuários. Em casos como os retratados por Snowden, a política da empresa é direcionar a agência governamental para o próprio cliente, para que eles resolvam entre si os problemas que motivaram a vigilância em primeiro lugar.

Tal postura também vale para o mercado chinês, onde a IBM é uma das líderes no mercado de servidores. Diante de suspeitas de que a infraestrutura daquele país estaria “grampeada” em busca de informações como mensagens de texto ou arquivos hospedados em data centers de faculdades, a companhia afirmou que sempre se adequa às leis locais, desde que isso não envolva a entrega de dados confidenciais de seus clientes.

Além disso, Weber afirma que os sistemas da IBM estão livres de “backdoors” ou qualquer outro tipo de artimanha que possa facilitar a entrada de hackers trabalhando para o governo. Além disso, ele garantiu que os códigos de seus sistemas ou chaves de criptografia não são entregues a terceiros em hipótese alguma, de forma a impedir o acesso não-autorizado à infraestrutura.

Por fim, ele citou uma situação hipotética, afirmando que o recebimento de uma ordem judicial para entrega de dados faria com que a IBM indicasse os caminhos para que o governo lidasse diretamente com o cliente que está sendo investigado. Caso essa notificação também inclua uma proibição de avisar o consumidor sobre a investigação, a companhia utilizaria meios legais para reverter essa chamada “gag order” e garantir a integridade de seus sistemas.

Ao final do texto, Weber sugere que as agências governamentais trabalhem para recuperar a confiança do público e, principalmente, das empresas que acabaram envolvidas de uma maneira ou outra nos escândalos de espionagem. Para o executivo, a proteção dos dados é um fator primordial da indústria e deve permanecer assim, com os governos sendo impedidos de “subverter tecnologias comerciais” para seus próprios fins.