IBM fala sobre investimentos em nuvem para startups

Por Rafael Romer | 19 de Maio de 2014 às 11h01

A IBM promoveu, na última sexta-feira (16), o terceiro encontro de sua série Inovação em Debate, que discute alguns dos principais temas e desafios de TICs atualmente.

Após abordar os temas da computação cognitiva e de cidades inteligentes, a empresa falou mais sobre sua recente atuação no setor de computação em nuvem, que prevê uma série de investimentos nos próximos anos.

Atualmente, a nuvem é uma das grandes apostas da IBM, que espera atingir uma receita de US$ 7 bilhões com esse mercado até 2015. No ano passado, a empresa registrou US$ 4,4 bilhões em receitas de cloud, US$ 1,7 bilhão através de demandas de serviço.

Já no primeiro trimestre deste ano, a empresa anunciou um crescimento de 50% no setor em relação ao mesmo período de 2013. A estimativa da companhia é que, até 2020, o setor global de nuvem atinja a marca de US$ 200 bilhões.

Há duas semanas, a empresa anunciou o lançamento da sua plataforma IBM Cloud Marketplace, um mercado digital nos moldes de serviços como App Store, que oferece aplicativos móveis, softwares como serviço (SaaS), ofertas de plataforma como serviço (PaaS) e ofertas de infraestrutura como serviço (IaaS) em um local. Dentro da plataforma estão inclusos alguns serviços como o acesso ao banco de dados do próprio Watson, a iniciativa de computação cognitiva da IBM, em modelo de SaaS.

"É um portal no qual nós estamos oferecendo praticamente tudo que o mercado precisa em termos de cloud", explicou José Luis Spagnuolo, Diretor de Cloud Computing e Smarter Analytics e Big Data da IBM Brasil. "Nós o dividimos por área de atuação: temos a parte de negócios (Biz), para funcionalidades e aplicações voltadas para industrias; Desenvolvimento (Dev), para testes; e a parte de Operação (Ops), que é a parte básica de infraestrutura".

Dentro do setor de operações da loja está a SoftLayer, uma das ofertas de cloud da empresa que está ligada a outro setor que atrai a atenção da gigante da tecnologia no momento: startups. Anunciada em junho do ano passado, a aquisição da empresa de servidores dedicados, hospedagem gerenciada e fornecimento de cloud computing custou US$ 2 bilhões. De quebra, a compra também trouxe o programa de incubação para startups da SoftLayer, o Catalyst, para dentro da IBM.

Junto com o lançamento do Marketplace, a IBM ainda anunciou a adição de 30 novos serviços de cloud para a BlueMix, plataforma no modelo de SaaS que tem como objetivo ajudar desenvolvedores a integrar aplicações e implementar serviços de nuvem rapidamente - que atrai muitas startups por ter acesso gratuito.

"[Ele é] 100% na cloud, tem tudo que a startup precisa para desenvolver aplicações e ganhar produtividade no desenvolvimento", afirmou a Gerente de Alianças da IBM, Marcela Vairo. "Eu tenho várias coisas pré-configuradas, que é um coisa que evita um custo grande. A startup não precisa contratar um programador para desenvolver um sitema".

Em conjunto com o anúncio, a empresa também lançou o espaço colaborativo BlueMix Garage, em São Francisco, que deve servir para o treinamento de empresas, startups e empreendedores na criação de apps dentro do BlueMix e no ecossistema da IBM.

Os serviços já estão sendo utilizados até dentro do Brasil, em parcerias com startups como a AudioMonitor, criadora de uma solução de monitoramento de rádios via streaming para análise de dados.

Investimentos em cloud

Para sustentar o crescimento e expandir sua infraestrutura de serviços, uma série de investimentos, que totalizaram US$ 1,2 bilhão, foram realizados ao redor do mundo no ano passado.

De acordo com os executivos, o Brasil é um dos países que está no roadmap de investimentos da empresa na nuvem.

No início do ano, a IBM anunciou que o país estará no grupo de quinze países que deve receber 40 novos centros de dados globais da empresa até o final deste ano. Em 2015, os planos são de expandir a infraestrutura também para o Oriente Médio e África.

Em abril, a IBM Brasil anunciou que iniciaria o desenvolvimento de uma tecnologia de gerenciamento de recursos de cloud de forma mais eficiente e em tempo real no país após o recebimento de R$ 5,7 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (FINEP), após um edital do programa TI Maior do Governo Federal.

Ainda não há muitos detalhes sobre o projeto, mas ele deverá ser resultado de uma colaboração da empresa com universidades brasileiras e estrangeiras no projeto pelos próximos três anos.

Ao final, o programa deverá resultar em um software dinâmico com autonomia de gerenciamento para pequenas, médias, grandes empresas e órgãos governamentais usarem suas demandas de nuvem.

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