HTC está de olho no mercado de softwares

Por Redação | 18.08.2014 às 12:05
photo_camera Divulgação

Apesar de fabricar alguns dos melhores smartphones com Android do mercado, a taiwanesa HTC tem encontrado muitas dificuldades em fechar as contas no final de cada trimestre, e agora olha para a área de software para diversificar sua receita.

Os aparelhos HTC One M7 e M8 (2013 e 2014, respectivamente) cativaram os entusiastas, mas as vendas não foram suficientes para recuperar a companhia de uma perda que tem ocorrido nos últimos anos, principalmente pela dificuldade em bater as gigantes Apple e Samsung. Com isso, a empresa passa a procurar outras maneiras de aumentar a receita: softwares e serviços.

Sem fazer muito alarde, ela montou uma equipe dedicada ao assunto, chamada de HTC Creative Labs e envolve cerca de 260 pessoas, distribuídas entre Seattle (principal escritório), São Francisco e Taipei.

O primeiro produto do Creative Labs será lançado esta semana, o Zoe. Trata-se de um app para a criação de pequenos vídeos misturados com fotos, que vem nos aparelhos da marca já há alguns anos, e que agora estará disponível a todos os smartphones Android.

HTC Zoe

Quem está à frente dessa nova empreitada da taiwanesa é Drew Bamford, que há um bom tempo é responsável pela equipe de interface de usuário (UI) da marca. Segundo ele, a entrada no ramo de softwares pode ser considerada uma terceira etapa na vida da HTC. A primeira fase foi o início da companhia, fabricando hardware para a Compaq e a Palm. A segunda veio em 2006, quando a mesma decidiu fabricar seus próprios smartphones.

Entrar e tirar algum lucro desse mercado não será uma tarefa fácil. Um exemplo é a Samsung, que investe milhões na sua divisão de softwares, mas que no final não gera receita.

Porém, a idéia por trás do Zoe é ambiciosa: transformar o app em uma plataforma para a visualização e compartilhamento de conteúdo, já que o usuário pode juntar até 16 vídeos e fotos para criar seus clips de no máximo 30 segundos, com várias opções de efeitos e recursos que o tornam poderoso mas ao mesmo tempo extremamente simples.

O destaque principal do Zoe, segundo a empresa, é que além de permitir que o usuário edite seus clipes, outros possam fazer remixes com vídeos de terceiros, inclusive adicionando novo conteúdo.

HTC Zoe

Os planos da HTC no momento giram em torno de conquistar uma audiência, para depois encontrar alguma maneira de monetizar a plataforma. Mas conseguir essa audiência também não será uma tarefa muito fácil, porque o mercado já anda bem saturado, com vários apps e serviços de fotografia, sem mencionar o Instagram e o Vine.

A versão beta do Zoe ainda tem várias deficiências. A principal delas é que só roda em smartphones potentes (a maioria utiliza smartphones medianos), e os recursos de edição são limitados. Esperamos que o produto final não tenha esses problemas.

Para aumentar o interesse do público no Zoe, a companhia planeja realizar parcerias com músicos e atletas, mas não foi revelado nenhum nome.

Nas primeiras versões do Android, que não eram lá aquelas coisas de amigáveis ao usuário final, as empresas gastavam muito tempo e recursos tornando-o amigável - daí uma das origens dos ‘launchers’ diferenciados. Mas, com as novas versões do sistema operacional, a necessidade de se ‘melhorar’ o Android já não é tão gritante, segundo Bamford. A equipe do Creative Labs ainda será responsável por desenvolver a interface de usuário Sense UI, e terá que dividir o tempo entre os dois projetos.

O Zoe deve chegar à Play Store nos próximos dias, e provavelmente receberá bastante atenção da mídia. Ficou curioso e não quer esperar? Você pode experimentar a versão beta no link abaixo:

HTC Zoe (beta) na Play Stor