HP detalha sua estratégia para setor de Enterprise Services

Por Rafael Romer | 06 de Agosto de 2014 às 06h35

À medida que expressões como big data, analytics, computação em nuvem e mobilidade ganham mais espaço dentro de grandes empresas, a TI se aproxima cada vez mais do core business de setores tradicionais da economia, como bancário, varejo, manufatura e indústrias de base. Mas nem sempre estas organizações são capazes de lidar internamente com essas tendências, o que cria uma demanda grande por serviços de consultoria e gerenciamento de TI no mercado.

"Hoje, qualquer indústria que a gente vai conversar, a gente começa a ver que a área de TI passou a ser fundamental para o negócio da empresa", afirmou Ailton Santos, Chief Technologist (CT) e Diretor de Portifólio da HP Enterprise Services no Brasil.

De olho nas oportunidades proporcionadas por esta transformação, a HP falou nesta terça-feira (05) sobre as mudanças que está promovendo dentro de uma das áreas mais importantes de atuação da empresa atualmente, a Enterprise Services (ES).

O setor já existe dentro da empresa há mais de 50 anos, mas atualmente voltou a ganhar espaço de destaque, ao mesmo tempo que a organização busca se reorganizar após uma decada "turbulenta" entre 2001 e 2011.

Com uma série de mudanças de comando no período, a própria HP reconhece que ficou para trás em diversas tendências que surgiram, como smartphones e tablets. Em parte por uma redução considerável no budget de pesquisa e desenvolvimento, mas também por aquisições penosas para o caixa da organização, como a da Compaq, em 2002, por US$ 25 bilhões.

Foi só nos últimos três anos que, sob a direção da atual CEO, Meg Whitman, a empresa buscou diagnosticar seus problemas e reestruturar o time, visando o crescimento neste ano e uma alavancagem maior a partir de 2015.

Nova organização

Hoje, o setor de Enterprise Services é o terceiro mais importante para a HP globalmente, com um faturamento anual de US$ 23 bilhões. ES fica atrás apenas do tradicional setor de Printing e Personal (US$ 56 bilhões), no qual estão os dispositivos pessoais e impressoras da HP, e de Enterprise Group (US$ 28 bilhões).

Para estruturar essa nova realidade a empresa se mexeu. No segundo trimestre deste ano, a HP Brasil anunciou que traria oito executivos com conhecimento de indústrias diferentes para novas posições de diretoria com uma ideia de criar uma espécie de "conselho de tecnologia". No mês passado, outros dois executivos se juntaram ao time. "Nós decidimos aqui que iríamos fazer um laboratório e contratar pessoas com conhecimento voltado para a indústria. É mais fácil ensinar tecnologia para um cara de indústria do que indústria para um cara de tecnologia", disse Santos.

O objetivo principal da nova estrura é ser um provedor de serviços de TI para atender demandas específicas de clientes de diferentes setores através de duplas de executivos, sempre um Diretor de Soluções de Negócios e um Chief Technologist. Para segmentar o grupo, a HP criou quatro verticais de atuação: Financeira, CME (que envolve entretenimento, mídia e telecom), Manufatura, e Multi-Indústria (para setores como agronegócio e energia).

Além disso, a empresa também preparou um time dedicado ao fornecimento de serviços terceirizados de TI. A lista é extensa: soluções para indústria, soluções para estações de trabalho e mobilidade, gerenciamento de análise de dados, outsourcing de processos, serviços de segurança, cloud, serviços de aplicação, entre outros.

"Com esse posicionamento nós conseguimos olhar para todos os componentes que fazem parte da estatégia de TI de uma companhia", explica o Diretor de Application & Business Services da HP Brasil, José Roberto Cordeiro. "[O cliente] hoje convive com a necessidade de entender as novas tendências, o caminho e a jornada por um novo estilo de TI, então a ES se apresenta não só para aconselhar, mas ajudar nessa transformação e, em seguida, gerenciar".

De acordo com a empresa, a ideia da área de ES não é entrar como uma consultoria para empresas, mas como "aconselhamento" para novas práticas de TI. Os serviços costumam fazer parte de pacotes de produtos da HP, às vezes muito próximos do setor de Enterprise Group, mas geralmente não são remunerados, como em consultorias tradicionais, e são classificados como relacionamento com o cliente.

Por ora, o foco da unidade de ES será, prioritariamente, grandes empresas, apesar da HP já estar trabalhando em uma ação de nuvem para pequenas e médias empresas (PMEs). A estratégia principal de aquisição de novos clientes também foi invertida e, agora, a HP busca ativamente novos prospects para encaixar no portifólio.

"Antes nós trabalhávamos de forma passiva, os clientes nos procuravam, agora não, nós escolhemos o cliente, estudamos o negócio, nos preparamos e quando vamos ter uma conversa, nós fazemos desafios de modelo de negócio para ganhar a credibilidade", explicou Santos.

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