HP chega em acordo com acionistas em processo de aquisição

Por Redação | 01.07.2014 às 16:40

No que está sendo visto como uma vitória judicial, a HP anunciou que chegou a um acordo junto a seus investidores, que tinham questionando judicialmente a aquisição da Autonomy, realizada em 2011 por US$ 11 bilhões. Para os acionistas, o custo foi muito acima do valor real da companhia, que seria avaliada em cerca de US$ 8,8 bilhões.

No processo, os reclamantes afirmavam que a HP teria ignorado alertas de diversos envolvidos na negociação e falhado em analisar de forma assertiva o potencial da Autonomy. Além disso, os acionistas dizem que a empresa teria exagerado na importância das soluções de governança de informação, marketing digital e análise de Big Data que fazem parte do portfólio da Autonomy.

De acordo com os termos do acordo, publicados pelo San Jose Mercury News, todas as acusações serão deixadas e os acionistas, inclusive, mudam de lado. Agora, os advogados dos investidores formarão uma força-tarefa para processar o antigo CEO da Autonomy, Michael Lynch, e o ex-CFO, Shushovan Hussain, por falhas de administração e alteração de registros financeiros anteriores à aquisição.

Foram justamente esses os motivos que fizeram com que a HP fosse inocentada, apesar de toda a perda de dinheiro oriunda do processo. No final das contas, os acionistas estavam efetivamente corretos ao afirmar que a companhia estava ignorando os alertas, mas para ela, estava fazendo isso a partir de registros alterados e declarações que não eram verdadeiras, feitas pelos executivos da Autonomy.

Ajudou bastante também o fato de órgãos federais como o Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Mobiliários americanos estarem investigando a Autonomy sobre o mesmo assunto, além de um grupo de análise de fraudes criado pelo governo do Reino Unido. A Força Aérea dos Estados Unidos também move um processo contra a empresa na tentativa de impedir que ela volte a fazer negócios com as forças armadas do país.

Foi justamente do relatório da Aeronáutica que vieram as primeiras acusações de que a Autonomy estaria alterando seus registros para parecer estar em uma situação melhor do que a real. Os documentos acusam os executivos de altos cargos da companhia de modificar dados financeiros e de vendas para “enganar analistas, investidores e potenciais clientes” sobre a sustentabilidade da companhia. Os dados seriam relativos a um período de cinco anos entre 2007 e 2011.

Michael Lynch foi desligado da empresa em 2012 e, desde então, nega veemente qualquer atividade do tipo. Segundo ele, todas as acusações são oriundas de uma interpretação errada por parte de empresas e autoridades norte-americanas, que desconhecem a forma com a qual corporações europeias trabalham em relação a seus registros de contabilidade.

O acordo entre a HP e seus acionistas ainda precisa ser aprovado pelo juiz Charled Breyer, de São Francisco, que é o responsável pelo processo. Essa validação é necessária para que a empresa possa seguir adiante, indiciando Lynch e Hussain por seus atos e dando início a uma nova rodada de batalhas judiciais, em um movimento que parece estar bem longe de chegar ao fim.

A notícia é, de fato, uma vitória para a HP, pois recupera a confiança de seu grupo de acionistas e também do mercado como um todo. Por outro lado, todos os problemas judiciais da Autonomy constituem um elefante branco para a companhia, que tem a posse dos serviços envolvidos em todo tipo de fraude e, agora, precisa resolver a situação para garantir que a perda de dinheiro não continue acontecendo de maneira indefinida.