GuiaMais: adoção de nuvem gerou redução de custo de 60% sobre Data Center físico

Por Rafael Romer | 20.08.2013 às 13:59 - atualizado em 23.08.2013 às 12:35

Para se adaptar às novas realidades do seu setor de atuação, a Carvajal, líder de mercado nacional no segmento de Buscas HiperLocal com o Portal GuiaMais.com, cupons de Desconto com o VivaCupom.com.br, listas e guias impressos com as marcas Editel e Listel, desenhou em março de 2012 um novo plano visando o corte de gastos na área de informática. Chamado de Projeto Alvo 40, o plano diretor tinha como meta reduzir em 40% os gastos em TI e previa iniciativas em várias áreas diferentes de setor, como cloud, outsourcing, telecom pessoas e software. "Como nós estamos passando por uma transformação na nossa indústria de páginas amarelas, a gente precisava também se adequar à nova realidade de custos e receitas que estávamos vivendo", afirmou ao Canaltech Corporate o Gerente de TI da Carvajal, Marcio Bertolucci.

Dentro do plano, uma das frentes atacadas foi a de infraestrutura. Até 2012, a marca mantinha seus serviços através em dois Data Centers com serviço de colocation, um para produção e outro para contingência, em Miami e Phoenix (EUA), respectivamente. "A gente tinha custos altos comparados [à nuvem]. Eram contratos grandes, de três anos, você precisava comprar as máquinas, ter pessoas de suporte remoto", explica Bertolucci.

A área de TI passou então três meses no processo de análise de qual seria a melhor solução para redução. Foram três os cenários propostos: sair do serviço de colocation e ir para hosting, ir para um cenário de cloud privada com os próprios equipamentos ou para uma nuvem pública de outro provedor. Após analisar as vantagens e custos das opções, a última foi a escolhida. "Olhando para o processo de cloud você vê que muitos custos são eliminados e você cria uma simplicidade muito grande na administração", diz o gerente.

A opção de fornecimento foi pela adoção dos serviços da Amazon Web Services (AWS), principalmente pelos custos mais baixos, como explica o gerente, mas também confiabilidade da marca e pelos serviços prestados à outros players conhecidos no mercado.

O processo de migração das informações do Data Center de contingência em Phoenix para a nuvem da AWS na região de Virgínia (EUA) durou exatamente 30 dias. A opções de permanecer com os dados armazenados no exterior foi uma opção da própria Carvajal, que, analisando a relação entre latência e custo que o Data Center brasileiro da Amazon ofereceria, escolheu manter a estrutura nos EUA. Apesar disso, alguns dos serviços da AWS adotados pela Carvajal, como o CloudFront, para distribuição de conteúdo aos usuários finais com baixa latência e altas velocidades, utilizam o Data Center da Amazon em São Paulo. A expectativa é que a segunda parte da migração, do Data Center de produção, seja realizada em outubro deste ano.

Líder de Infraestrutura da Carvajal, Eduardo Rodrigues conta que apesar de o processo ter sido rápido, alguns desafios técnicos foram encontrados durante a migração para a nuvem. "Nós não éramos usuários de Amazon, então precisávamos criar todo o ambiente privado dentro da rede da Amazon, nós técnicos precisaríamos entender qual a arquitetura geral da AWS, como funcionava cada componente da nuvem. Era algo totalmente novo para a equipe", explica.

Em vez de procurar outro parceiro para implementar a nuvem e lidar com os novos problemas, a empresa optou por desenvolver tudo internamente, com auxílio de técnicos de arquitetura da Amazon. Na avaliação de Bertolucci, a experiência foi positiva e proporcionou um entendimento mais profundo e técnico da operação e arquitetura da nuvem à equipe de TI do site. "Se você tiver uma boa equipe de infra, pessoas que você vai investir tempo e disponibilidade e já está no seu próprio core a tecnologia, você pode seguir essa linha. Se você tem uma necessidade de urgência para fazer uma migração, é importante ter o apoio de alguém que já tem a experiência para ajudar a desenhar a arquitetura", sugere.

Bertolucci considera que toda a operação de migração para a nuvem foi "além das expectativas" e que trouxe uma redução de custos na área de infraestrutura de aproximadamente 60% em relação ao antigo Data Center físico. "A gente teve ganhos em vários aspectos, o financeiro foi acima do que prevíamos, mas a gente também consegue estar mais focado no negócio e não somente no tempo olhando servidores, cabeamento, eletricidade, ar condicionado. Você abstrai tudo isso", conclui o gerente.