'Governo deveria ser o defensor da internet e não a ameaça', diz Mark Zuckerberg

Por Redação | 14 de Março de 2014 às 09h24

Google, Apple, Facebook, Yahoo! e outras grandes empresas de tecnologia já se mostraram contra as ações da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, principalmente no que diz respeito a espionagem e (falta de) privacidade. Agora, o CEO da rede social mais famosa do mundo, Mark Zuckerberg, resolveu dar seu parecer sobre o caso. Em seu perfil no Facebook, ele demonstrou sua insatisfação com as atitudes adotadas pelo órgão de inteligência norte-americano e as criticou.

Zuckerberg afirma ter ligado para o presidente Barack Obama para expressars suas frustrações sobre os danos causados pelo governo no espaço virtual graças aos programas de monitoramento da NSA. A declaração do jovem executivo vem um dia após a revelação que a agência criou um sistema que imitava os servidores do Facebook e que cujo objetivo é infectar computadores com um malware que permitiria coletar dados de PCs em todo o mundo.

Para o fundador da rede social, "o governo norte-americano deveria ser o defensor da internet, não a ameaça". Ele também acredita que a NSA precisa ser mais transparente sobre suas atividades para evitar que os usuários desconfiem e acreditem no pior. "Infelizmente, parece que demorará muito tempo até que um reforma verdadeira aconteça", comenta.

A publicação de Mark Zuckerberg já tem mais de 138 mil curtidas e mais de 17 mil pessoas compartilharam a mensagem. Leia abaixo o texto na íntegra:

"Conforme o mundo se torna mais complexo e governos de todo o mundo brigando, a confiança na internet é mais importante do que nunca.

A internet é nosso espaço compartilhado. Ela nos ajuda a nos conectar. Ela espalha oportunidades. Ela permite aprendizado. Ela nos dá uma voz. Ela nos faz mais fortes e seguros juntos.

Para manter a internet forte, nós precisamos mantê-la segura. É por isso que no Facebook nós gastamos bastante energia tornando nossos serviços e a internet mais e mais seguros. Nós criptografamos comunicações, nós usamos protocolos seguros para tráfego, nós encorajamos que as pessoas usem múltiplos fatores para autenticação e tomamos caminhos para consertar problemas que encontramos em serviços de outras pessoas.

A internet funciona porque a maioria das pessoas e das empresas faz o mesmo. Nós trabalhamos juntos para criar esse ambiente seguro e fazer nosso espaço compartilhado ainda melhor para o mundo.

É por isso que fico tão confuso e frustrado com as repetidas informações sobre o comportamento do governo norte-americano. Quando nossos engenheiros trabalham incansavelmente para melhorar a segurança, nós imaginamos que estamos protegendo vocês de criminosos, não do nosso próprio governo.

O governo norte-americano deveria ser o defensor da internet, não a ameaça. Eles precisam ser mais transparentes sobre o que eles estão fazendo ou as pessoas irão acreditar no pior.

Eu liguei para o presidente Obama para expressar minhas frustrações sobre o dano que o governo está causando para todo o futuro. Infelizmente, parece que demorará muito tempo até que um reforma verdadeira aconteça.

Então cabe a nós – todos nós – construir a internet que queremos. Juntos, nós podemos criar um espaço que seja maior e mais importante do que qualquer outro espaço que exista hoje, mas que também seja seguro. Eu estou comprometido em ver isso acontecer e você pode contar que o Facebook vai fazer sua parte."

Contra a espionagem

Em dezembro do ano passado, um grupo com oito das principais empresas de tecnologia do mundo divulgou uma iniciativa chamada "Reforma da Vigilância do Governo". O projeto tem como objetivo solicitar aos governos de todo o globo, incluindo os Estados Unidos, que se faça uma reforma mundial no sistema de vigilância norte-americano e de outros países para garantir mais segurança às companhias e usuários.

Em carta aberta publicada no site oficial da iniciativa, as empresas pedem ao presidente Barack Obama mais transparência sobre o que organizações como a NSA coletam sobre os internautas. Participam da campanha Apple, Google, Microsoft, Facebook, Twitter, LinkedIn, AOL e Yahoo!, que lembraram os mais de 200 mil documentos revelados pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden, que comprovam um esquema de espionagem global encabeçado pelos EUA.

"Entendemos que os governos têm o dever de proteger seus cidadãos. Mas as revelações dos últimos meses só destacam o quanto é necessário reformar as práticas de vigilância dos governos em todo o mundo. Os direitos de liberdade do usuário estão registrados na nossa Constituição e podem ser prejudicados. É hora de uma mudança", diz a carta.

O projeto ainda destaca cinco princípios básicos que constituem a reforma do sistema de monitoramento. São eles: limitar a autoridade dos governos na coleta de informações dos usuários; supervisionar as agências de inteligência e regulamentar de forma independente todos os dados requisitados por essas instituições; garantir a transparência sobre demandas governamentais de vigilância de dados; respeitar o livre fluxo de informações na rede e evitar conflitos de leis entre governos. Clique aqui para saber mais detalhes.

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