Google vende Motorola Mobility para a Lenovo por US$ 2,91 bilhões

Por Caio Carvalho | 29.01.2014 às 21:03 - atualizado em 30.01.2014 às 10:03

De um jeito bastante inesperado, o Google confirmou na noite desta quarta-feira (29, manhã de quinta-feira na China) que vendeu a divisão de celulares da Motorola para a Lenovo em uma transação que custou US$ 2,91 bilhões à fabricante chinesa. A notícia foi divulgada minutos antes do anúncio oficial da gigante das buscas, e veiculada em vários sites internacionais de tecnologia.

A venda da Motorola à Lenovo foi divulgada durante uma Conference Call que contou com a presença de Yang Yuanqing, CEO da Lenovo, e Wong Waiming, CFO da empresa. Apesar de ser uma das companhias líderes no mercado de computadores pessoais (notebooks, desktops e ultrabooks), a organização planeja um forte investimento nos smartphones a partir de 2014, o que justifica a compra da divisão que antes pertencia ao Google.

Vale lembrar que esta não é a primeira aquisição da Lenovo na indústria mobile (e tecnológica, no geral). Recentemente, a empresa comprou a divisão de servidores da IBM por US$ 2,3 bilhões e, em 2012, adquiriu a brasileira CCE por R$ 300 milhões. O objetivo, de acordo com o comunicado à imprensa na época, era de se estabelecer na primeira posição em vendas de PCs nos mercados emergentes, no caso o Brasil.

O Google comprou a Motorola Mobility em 15 de agosto de 2011 em uma transação bilionária: a gigante de Mountain View desembolsou US$ 12,5 bilhões pela fabricante de celulares norte-americana, ou seja, mais que o quádruplo do valor oferecido pela Lenovo nesta quarta-feira. Em pouco mais de dois anos nas mãos do Google, a Motorola ganhou uma nova logomarca e recebeu incentivo da companhia que resultou no lançamento de dois celulares inteligentes: o Moto X e o Moto G, ambos muito bem recebidos no mercado por unirem as qualidades de um Android topo de linha ofertado por um preço acessível.

Google e Lenovo

Não se sabe como a Lenovo vai conduzir a Motorola daqui para frente, principalmente sobre o fim que dará aos últimos smartphones da empresa. É provável que a chinesa não modifique o modelo de negócios atual da companhia americana para não prejudicar seu lucro quase inexistente, já que a organização tem perdido mais dinheiro do que ganhado - o último relatório do Google, referente ao terceiro trimestre de 2013, apontava perdas de US$ 248 milhões, contra US$ 192 milhões do mesmo período em 2012.

Fato é que o Google parece querer tomar novos rumos desde o ano passado, quando deu início a uma compra atrás da outra no mercado de robótica. Só em 2013, foram mais de 12 startups ligadas a software e hardware de robôs e inteligência artificial, incluindo a Holomni, especialista em design e produção de rodas inteligentes, a Makani Power, que fabrica turbinas eólicas, e a Boston Dynamics, conhecida pela produção de máquinas humanoides para órgãos do governo dos Estados Unidos (Pentágono e DARPA são alguns exemplos).

Já agora em janeiro, a empresa comprou duas outras organizações: a Nest Labs, que criou vários alarmes e termostatos inteligentes para equipar residências, e a DeepMind, uma startup britânica que desenvolve algoritmos que permitem que vários tipos de software, como simuladores, sites de comércio online e jogos eletrônicos consigam aprender e se adaptar ao comportamento dos usuários.

Levando em consideração tais aquisições, fica claro os motivos que levaram o Google a se desfazer da divisão de celulares da Motorola, e por um valor tão baixo comparado ao que a empresa gastou em 2011. É claro que o Google não vai se afastar do mercado de smartphones. Afinal, o Android é o sistema operacional móvel mais usado em todo o mundo, presente em 81% dos dispositivos. Mas os planos da companhia de Larry Page e Sergey Brin estão em investir em algo muito maior (robôs e máquinas inteligentes) e, ao que tudo indica, não havia espaço para a Motorola nessa nova iniciativa.