Google vai impedir que fabricantes alterem interface do Android Wear, Auto e TV

Por Redação | 30 de Junho de 2014 às 11h46
photo_camera Divulgação

Uma das características que faz o Android ser tão popular é sua capacidade de personalização. Ao contrário das "restrições" presentes no iOS da Apple, o sistema operacional do Google adota uma filosofia mais open-source, permitindo que usuários, desenvolvedores e fabricantes modelem a plataforma da maneira que acharem mais conveniente. Há quem não goste dessa estratégia, mas é fato que ela possibilita a criação de ferramentas de um jeito bem mais simplificado.

No entanto, essa tal liberdade no software do robôzinho verde está com os dias contados, pelo menos nos novos produtos do Google. Em entrevista ao site Ars Technica, David Burke, engenheiro-chefe do Android e do programa Nexus, declarou que, daqui em diante, as empresas não poderão alterar a interface e experiência dos serviços anunciados na semana passada durante a conferência Google I/O, entre eles o Android Wear, o Android TV e o Android Auto.

A decisão não afeta os desenvolvedores, que poderão continuar trabalhando normalmente com o kit de desenvolvimento (SDK, na sigla em inglês) do sistema, como já acontece hoje. As principais afetadas são as fabricantes, que terão de adequar seus próximos aparelhos a um Android cada vez mais consistente – o chamado "Android Puro". Na prática, isso pode decretar o fim de interfaces confusas e obrigatórias em diversos dispositivos do mercado, como a BlinkFeed, da HTC, e a criticada TouchWiz, da Samsung.

"A interface do usuário é mais [uma] parte [importante] do produto, nesse caso. Apenas queremos ter uma experiência de usuário muito consistente. Então, se você tem uma TV em um quarto e uma outra TV na sala – e ambas dizem possuir o Android TV –, queremos que elas funcionem da mesma forma e tenham o mesmo design", explicou Burke. Ou seja, o conteúdo terá que ter a mesma aparência em um tablet, smartphone, televisor ou relógio equipado com as próximas versões do Android.

Segundo o executivo, as fabricantes que adotarem o Android ainda poderão incluir recursos e ferramentas exclusivos nos aparelhos – que não deve eliminar por completo as funções de interfaces como a TouchWiz –, mas não poderão alterar o visual da plataforma. Inicialmente, essa estratégia vai atingir os relógios com Android Wear, o Android TV e o sistema para carros Android Auto, sendo estendida logo em seguida para tablets e celulares inteligentes.

Andrew Cunningham, do Ars Technica, dá um exemplo de como essa unificação do sistema será benéfica para o usuário, que agora não terá que recorrer apenas aos dispositivos da família Nexus para uma experiência mais pura do Android. "Uma coisa se sobressai nos relógios Samsung Gear Live e o LG G Watch: o software se comporta praticamente da mesma maneira, não importa qual dispositivo você tem. Existem pequenas diferenças, mas é exatamente a mesma experiência interagir com um smartwatch ou outro", diz.

Android Wear

Android Wear terá a mesma interface em todos os dispositivos (Foto: The Telegraph)

E o Google parece estar mesmo empenhando em corrigir alguns deslizes das versões anteriores do Android. A principal delas é justamente essa diferenciação entre aparelhos que, mesmo equipados com a mesma plataforma, apresentam interfaces tão distintas. Além disso, não é apenas o visual dos dispositivos que deve ser unificado, mas também o das ferramentas. O Gmail, por exemplo, ganhará uma nova tipografia no Android L que vai permitir ao aplicativo se adaptar aos diversos formatos de tela, garantindo que o app tenha o mesmo design em todos os gadgets e displays.

A dúvida agora é saber se as fabricantes deixarão as próprias interfaces e aderir as mudanças propostas pelo Google.

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