Google utiliza novo sistema de 'cérebro virtual' para aprimorar seus serviços

Por Redação | 08.10.2012 às 09:40

No início deste ano, o Google fincou um novo marco no campo da inteligência artificial ao criar um software capaz de aprender a reconhecer objetos ou pessoas, simplesmente "assistindo" a vídeos do YouTube.

Essa tecnologia, que foi feita com base no funcionamento das nossas células cerebrais, está sendo colocada a prova. Os pesquisadores estão utilizando este software autodidata para tornar os produtos do Google ainda mais inteligentes, como o reconhecimento de fala, por exemplo.

O software simula um grupo de células cerebrais conectadas, que se comunicam e se influenciam mutuamente. Quando a rede neural, como é chamada, é exposta aos dados, as relações entre os diferentes 'neurônios' começam a mudar. Isso faz com que a rede desenvolva a capacidade de reagir à entrada de certos tipos de dados, o que causa o tal aprendizado.

Rede Neural

A rede neural eletrônica foi capaz de identificar mais de 20 mil objetos (Foto: Reprodução/The New York Times)

As redes neurais têm sido usadas há décadas em áreas onde a aprendizagem das máquinas é aplicada, como para jogar xadrez ou em um software de detecção de rosto. Os engenheiros do Google têm encontrado maneiras de colocar mais poder de computação por trás do sistema, fazendo com que essas redes aprendam sem precisar da assistência humana.

Outra vantagem do avanço dessa tecnologia é que ela se tornou robusta o suficiente para ser utilizada comercialmente, e não apenas em demonstrações científicas. Aproveitando isso, o Google agora está usando essas redes neurais para reconhecer a fala, uma tecnologia que se torna cada dia mais importante para seu sistema operacional, o Android.

"Temos entre 20 e 25% de melhoria em termos de palavras que estavam erradas", disse Vincent Vanhoucke, líder de reconhecimento de voz do Google, para o TechnologyReview. "Isso significa que mais pessoas terão uma experiência perfeita, sem erros." Por enquanto, a rede neural só está trabalhando com o idioma inglês, dos Estados Unidos, mas em breve eles pretendem expandir o projeto para mais línguas.

O próximo passo é desenvolver mais a parte visual dessa tecnologia. "Na verdade, o funcionamento das redes neurais do Google é parecida com o que os neurocientistas sabem sobre o córtex visual dos mamíferos, a parte do cérebro que processa a informação visual", disse Yoshua Bengio, professor na Universidade de Montreal, que trabalha com técnicas semelhantes de aprendizagem das máquinas.