Google quer mudar sistema de buscas e ranquear sites por confiabilidade

Por Redação | 02 de Março de 2015 às 12h32

Todo mundo já deve saber como funciona o sistema de ranqueamento de páginas na pesquisa do Google: quanto mais links para um determinado conteúdo, melhor a posição do site no sistema, com elementos como acessos ou confiabilidade vindo em segundo lugar. Agora, entretanto, a empresa estaria disposta a mudar esse critério, apostando na veracidade das informações exibidas para disseminar fatos em suas pesquisas e evitar que páginas sensacionalistas, mentirosas ou difamatórias ganhem destaque.

O novo sistema, que ainda não está em funcionamento, mas está em fase de testes já há alguns meses, confia plenamente em bots e inteligência artificial para realizar o trabalho. A base de todo o esquema é o “Knowledge Vault”, um amplo sistema de conhecimento que o Google vem coletando também de forma automatizada e influi milhões de fatos e informações verídicas ou que se tornaram lugar-comum na internet. Por lá tem de tudo, desde memes e piadinhas até notícias e dados históricos.

É a partir da referência entre esse enorme volume de informações e os sites da internet que, de acordo com a revista New Scientist, o Google deve criar um sistema de confiabilidade de páginas que, no futuro, deve ter mais prioridade no ranqueamento que o atual sistema de links. A empresa acredita que isso deve acabar a proliferação de sites caça-cliques, que utilizam das boas práticas de SEO para ganhar dinheiro com os anúncios exibidos e aqueles veículos informativos que se preocupam mais com os pageviews e menos com a qualidade de seu conteúdo.

Esses dois fatores são a principal pedra no sapato do Google nos últimos anos, já que seus resultados de busca nem sempre aparecem da forma confiável e certificada que a companhia gostaria. Por isso, também já há algum tempo, ela vem trabalhando em alternativas, com o sistema automatizado de legitimidade sendo o caminho mais eficaz encontrado até o momento.

O sistema já funciona atualmente, mas de uma maneira um pouco menos abrangente e por meio de extensões para navegadores, incluindo o próprio Chrome. O Emergent, por exemplo, é capaz de consultar diversas fontes online ao mesmo tempo para indicar aos usuários se as informações de um determinado artigo acessado realmente são verdadeiras, indicando links para fontes melhores em caso de negativa.

O projeto é da Universidade Columbia, por meio de seu centro de jornalismo digital, que também parece estar trabalhando com o Google nas mudanças em sua ferramenta de buscas. Projetos como estes, ao lado de normas governamentais como o “direito a ser esquecido” aprovado pela União Europeia, por exemplo, vêm como boas notícias para criar uma internet mais segura, confiável e, acima de tudo, compromissada com a verdade.

Apesar disso, a reportagem do New Scientist coloca dúvidas sobre um obstáculo que o Google pode ainda não ter enfrentado em seus testes – a incredulidade dos usuários. Como eles lidarão com as informações que acreditam serem plenamente verdadeiras quando o sistema lhes provar que, na verdade, não são? Será que vai valer mais o achismo do que os fatos? A verdade inconveniente ou a mentira confortável? E, acima de tudo, como a gigante das buscas vai lidar com esse aspecto extremamente pessoal de cada usuário do seu sistema?

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