Google pode estar prestes a anunciar o Fit, concorrente do Healthkit da Apple

Por Redação | 13.06.2014 às 12:10

Apenas dez dias após o anúncio do Healthkit, da Apple, o Google parece já estar disposto a correr atrás do prejuízo. De acordo com informações da revista norte-americana Forbes, a empresa parece disposta a lançar, o mais rápido possível, um serviço chamado Fit que, nos mesmos moldes da rival, servirá como um agregador de informações de saúde e fitness. Os dados serão colhidos a partir de pulseiras eletrônicas, sensores ligados ao corpo e todo tipo de aparelho.

A revelação da novidade estaria marcada para acontecer no final deste mês, entre os dias 25 e 26 de junho, durante a conferência Google I/O. A ideia é basicamente a mesma do Healthkit: permitir que os dados coletados de diversas fontes sejam mantidos e catalogados em um só lugar, permitindo que sejam acessados por médicos e o acompanhamento pelo próprio usuário. Batimentos cardíacos, calorias ingeridas, horas de sono e passos dados são apenas algumas das informações que podem aparecer no app.

Para garantir o funcionamento do serviço, o Google já estaria trabalhando junto com desenvolvedores de soluções do tipo para garantir o uso de APIs abertas que pudessem se integrar ao Fit. Além disso, a empresa pretende buscar parceiros no setor das tecnologias vestíveis para garantir a chegada de aparelhos dos mais diversos tipos já preparados para funcionar com a novidade.

No começo do mês, durante a WWDC 2014, a Apple anunciou o Healthkit como uma função agregada ao iOS 8. Da mesma maneira, outras empresas como a Samsung também já revelaram suas propostas do tipo – e a fabricante pode acabar até mesmo se posicionando como uma boa parceira do Google caso o Fit seja realmente real, o que pode acabar constituindo uma concorrência bastante forte para a Maçã.

Por enquanto, não sabemos se o Google Fit será integrado ao Android ou, como outras soluções da empresa, deverá ser baixada separadamente. A empresa ainda não se pronunciou sobre o assunto e vem mantendo detalhes específicos sobre suas apresentações do I/O em segredo, apesar de alguns nomes de encontros e apresentações indicarem o que está por vir.

No primeiro dia do evento, por exemplo, a empresa tem marcada uma apresentação chamada “Computação vestível com o Google”, que é seguida por um painel de design para tecnologias vestíveis. Se o Fit realmente existir, é bem possível que ele seja anunciado ou comentado neste painel.

Complicações

Como lembra a Forbes, apesar de parecer um setor em franca expansão, o segmento da saúde ligada aos dispositivos mobile pode ser um terreno espinhoso. Para Google e Apple, o trabalho é como pisar em ovos, já que, apesar das oportunidades, é preciso tomar cuidado para que os aplicativos não constituam algum tipo de análise diagnóstica, o que poderia complicar o processo por meio da entrada da FDA, a agência que regula medicamentos e operações médicas nos Estados Unidos.

Além disso, entra em jogo também a questão da privacidade, já que os dados estarão sendo coletados o tempo todo e, potencialmente, compartilhados com médicos e instituições de saúde. Sendo assim, é preciso que o usuário tenha acesso completo a ferramentas de configuração e controle do que é compartilhado, além de uma segurança ainda mais ampla em seus serviços de cloud computing para se proteger contra espionagem governamental e hackers.

Foram esses os motivos que, por exemplo, levaram à derrocada do Google Health, um portal de saúde lançado pela empresa e fechado em 2012. As conclusões às quais a empresa chegou, na época, foi de que as pessoas não querem agregar dados sobre sua saúde em um único local e, muito menos, ter acesso irrestrito a eles. Mas agora, com a chegada dos dispositivos vestíveis, essa concepção pode ter mudado e a empresa pode estar disposta a tentar de novo, mas de maneira diferente.

Uma coisa é fato: a união de dados em um só lugar e a análise simplificada de todas essas informações parecem ser uma das dinâmicas para o futuro. Pode até ser que os usuários não se interessem por isso tão cedo, mas, para as empresas, é fundamental saber exatamente o que os seus clientes estão pensando ou, nesse caso, sentindo.