Google discute oportunidades e desafios do setor de tecnologia no Brasil

Por Rafael Romer | 12.09.2014 às 15:40
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O Google promoveu nesta semana, em São Paulo, a segunda rodada de encontros da sexta edição do Think with Google, evento que discute a visão da empresa para o futuro de diferentes setores e mercados no Brasil. .

Nesta quinta-feira (11), a penúltima reunião focou nas oportunidades e desafios do mercado de tecnologia brasileiro, um dos setores do centro da movimentação da economia mundial que passa por um momento de movimentação intensa no país.

A mensagem do Google foi bem objetiva: há um momento de incerteza econômica no Brasil e nem todos os setores estão vendo o mesmo crescimento que observavam há alguns anos. Mas isso não significa que o país está em crise. Na avaliação da empresa, se executivos do setor souberem alavancar oportunidades que surgem na hora exata de transformação, principalmente nos setores da mobilidade, o potencial é de crescimento.

"Quando pensamos no Brasil de hoje, temos que falar sobre eficiência", afirmou o Diretor Geral do Google Brasil, Fábio Coelho. "Temos um usuário completamente diferente, interconectado e cada vez mais móvel". De acordo com o executivo, o principal ponto de contato entre marcas e o usuário final está se aproximando em ritmo acelerado dos dispositivos móveis e ambientes digitais, setores que já não podem mais ficar de fora das estratégias de marketing e vendas das companhias.

Segundo dados do próprio Google, em 2013, desconsiderando tablets, cerca de 15% das buscas feitas no site tinham origem celulares. Só no primeiro semestre desse ano, o valor já subiu para 30%, e a expectativa é que o tráfego mobile faça a virada dentro do Google já em 2015. Em 2010, apenas 1% das buscas eram mobile.

"Hoje o celular é a primeira tela, não dá mais para pensar nele como segunda tela", disse Regina Chamma, diretora de negócios para segmento tech e telecom do Google. "O celular talvez seja o maior competidor de mídia que a gente tem. A atenção do usuário está no celular, é estratégico pensar hoje no celular como um ponto principal para [o contato com] o consumidor".

A estratégia, no entanto, não pode ser simplesmente adaptada do modelo desktop e exige ambientes otimizados para entregar uma experiência de qualidade para o usuário final. Segundo Brendon Kraham, diretor global de soluções emergentes de publicidade do Google, empresas tradicionais competem hoje com serviços que já nasceram no ambiente móvel e entregam experiências naturais para smartphones e tablets. "Quando você faz design para ambiente móvel, você precisa fazer coisas bonitas. É isso que o consumidor espera", afirmou.

Dados globais coletados pelo Google de sua base de clientes e parceiros de negócios que usam as plataformas de publicidade do site mostram que só metade possui atualmente sites otimizados para o ambiente mobile. A estimativa é que 67% dos consumidores têm mais chances de concluir uma compra se o ambiente for otimizado. Se o site não tiver uma experiência móvel boa, 61% dos consumidores tendem a deixar a página.

Para Kraham, também é importante que empresas conheçam qual o caminho que o consumidor faz até chegar no ponto final da compra de determinado produto, a chamada utilização cross-device. Com o número crescente de consumidores que utilizam múltiplas plataformas para fazer buscas de produtos, checar preços e realizar a compra, entender exatamente qual o caminho feito pelo comprador pode ser essencial para direcionar a estratégia de marketing.

A empresa trouxe para o debate o case da gigante Samsung, que alavancou neste ano suas vendas de televisores para a Copa do Mundo através de uma campanha 100% digital observando qual o caminho feito pelos consumidores que buscam TVs. Como explicou Silvio Stagni, vice-presidente de consumer electronics da Samsung Brasil, a cada quatro anos as vendas de televisores globalmente atingem seu período de maior demanda durante os seis meses que antecedem uma Copa do Mundo.

Mesmo sem estar entre os patrocinadores oficiais do evento, para capitalizar com essa tendência do mercado, em maio do ano passado a Samsung introduziu em todas as TVs fabricadas no Brasil a chamada função futebol, ferramenta que otimiza imagens e sons do aparelho para aumentar a imersão em partidas de futebol. A empresa resolveu investir todo o orçamento de marketing disponível para a função no meio digital, apostando na estatística de que 93% dos usuários brasileiros fazem o caminho de pesquisar sobre televisores na internet antes, só para depois ao ponto de venda físico.

Além disso, a companhia criou uma campanha em vídeo que simulava a cena de uma preparação de um time no vestiário antes de uma partida, que podia ser assistida com ou sem a "função futebol", mostrando uma diferença exagerada. O vídeo teve 40 milhões de views e resultou em cerca de 1 milhão de leads para varejistas. Só no primeiro semestre deste ano, a empresa vendeu a mesma quantidade de televisores do que em 2013 inteiro - o equivalente a uma TV a cada 9 minutos.