Google defende seu direito de fazer varredura eletrônica no conteúdo do Gmail

Por Redação | 05 de Setembro de 2013 às 13h43

Em meio a muita polêmica gerada graças ao programa de espionagem do governo norte-americano, o Google enfrenta um tribunal para tentar defender o direito de continuar escaneando e monitorando o conteúdo dos usuários do seu serviço de e-mail.

Em resposta a uma ação coletiva movida em maio contra o gigante da web, os advogados do Google dizem que a prática de varredura eletrônica do conteúdo das contas do Gmail é antiga e legal. Essa ferramenta é utilizada pela empresa para vender anúncios e direcioná-los para usuários específicos, de acordo com seus interesses.

A revista Time diz que uma audiência federal está marcada para a próxima quinta-feira (12), mas o Google se antecipou e apresentou alguns registros judiciais dizendo que "todos os usuários de e-mail devem necessariamente esperar que seus e-mails sejam objeto de tratamento automatizado".

A ação coletiva apresentada contra a empresa diz que o Google "abre, lê e adquire ilegalmente o conteúdo privado das mensagens de e-mail das pessoas", algo que viola as leis de privacidade da Califórnia e também estatutos federais dos Estados Unidos. O processo observa que a empresa ainda verifica as mensagens enviadas para qualquer um dos 425 milhões de usuários ativos do Gmail a partir de contas de outros provedores de e-mail que nunca concordaram com os termos da gigante da web.

O Google já explicou uma série de vezes como orienta a sua publicidade baseada em palavras que aparecem nas mensagens do Gmail. Por exemplo, se você trocar e-mails com um amigo sobre fotografias, você pode esperar até que alguns anúncios de lojas de máquinas fotográficas comecem a aparecer na interface do Gmail. O Google alega que esse processo é completamente automatizado, e que nenhum funcionário pode ler os e-mails dos usuários.

Os advogados de defesa da empresa dizem que: "Este caso envolve um esforço dos autores para criminalizar práticas comerciais comuns que fazem parte do serviço gratuito do Gmail desde que ele foi introduzido há quase uma década".

Já os defensores da privacidade têm questionado muito essa prática. "As pessoas acreditam que, para o bem ou para o mau, seu e-mail é uma correspondência privada, que não está sujeita aos olhos e caprichos de uma corporação de US$ 180 bilhões", disse Jamie Court, o presidente da Consumer Watchdog – uma organização sem fins lucrativos da Califórnia que defende os interesses dos consumidores.

Recentemente, diversos sites, inclusive o Canaltech, noticiaram que o Google afirmava que os usuários do Gmail "não podiam ter nenhuma expectativa de privacidade em seu e-mail", com a informação baseada em um documento da própria empresa no qual seus advogados supostamente teriam feito a afirmação. No entanto, o Google alegou que a passagem, repercutida na imprensa pela própria Consumer Watchdog, estava fora de contexto.

Instagram do Canaltech

Acompanhe nossos bastidores e fique por dentro das novidades que estão por vir no CT.