Google critica Ministério Público por acusação sobre pornografia infantil

Por Redação | 11 de Março de 2014 às 17h48

Há duas semanas, o Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo acusou o Google de atrapalhar uma investigação sobre pornografia infantil que acontece desde 2010. Agora, a companhia publicou em seu blog oficial uma reposta sobre o ocorrido e se defendeu das acusações feitas contra dois de seus diretores.

De acordo com Matt Sucherman, vice-presidente para assuntos jurídicos do Google no mundo, qualquer imagem ou conteúdo relacionado ao assunto que esteja visível nas plataformas da empresa é imediatamente removido, os casos reportados às autoridades e todas as evidências são usadas pelos órgãos federais para processar e condenar criminosos.

O Google também afirma que as alegações de denúncia são ultrajantes, pois nenhum dos diretores ajudou a disseminar o material contendo abuso sexual de crianças ou desobedeceu ordens judiciais. Além disso, a companhia diz que é "incompreensível" que o MPF tenha feito acusações sem fundamento e que a corporação só tomou conhecimento da denúncia por meio de um comunicado à imprensa.

"Essas alegações contra nossos funcionários são injustas e enfraquecem a cooperação construída nos últimos anos entre as autoridades brasileiras e o Google para combater o abuso sexual infantil. Esperamos que essas acusações sejam rejeitadas para que nossos funcionários possam continuar a ajudar na luta contra a exploração sexual de crianças on-line", destacou Sucherman.

Abaixo, leia o texto publicado pelo Google na íntegra. A empresa lista alguns de seus principais esforços para combater a pornografia infantil, incluindo melhorar os resultados de busca e a criação de ferramentas para detectar e remover tal conteúdo:

O abuso sexual de crianças destrói vidas inocentes. Mesmo que a sociedade nunca seja capaz de eliminar totalmente tal perversão, devemos fazer tudo ao nosso alcance para proteger as crianças desse mal. É por isso que empresas de internet, como o Google, têm trabalhado há anos com autoridades públicas no mundo todo para impedir pedófilos de compartilhar fotos ilegais na web.

Removemos proativamente essas imagens de nossas plataformas e imediatamente reportamos os casos para as autoridades. Estas evidências são usadas com frequência para processar e condenar criminosos. Aqui no Brasil, por exemplo, o Google forneceu informações ao Ministério Público Federal em milhares de casos diferentes, como parte de um acordo firmado em 2008. Investimos milhões de dólares por ano para aprimorar globalmente nossos esforços no combate à pornografia infantil.

  • Limpando a Busca: melhoramos a Busca do Google para evitar que links direcionados a materiais de abuso sexual infantil apareçam nos resultados. Apesar de nenhum algoritmo ser perfeito - e o Google não poder evitar que pedófilos coloquem novas imagens na rede - essas mudanças eliminaram os resultados para mais de 100 mil buscas que poderiam ser relacionadas ao abuso sexual infantil.
  • Detecção e remoção: todas as imagens de abuso sexual infantil identificadas recebem uma impressão digital única. Isso permite a nossos computadores reconhecer essas imagens sempre que elas aparecerem em nossos sistemas. E, dado que pedófilos vêm cada vez mais filmando seus crimes, nossos engenheiros criaram novas tecnologias capazes de identificar vídeos impróprios.

Considerando todos estes esforços do Google, ficamos perplexos ao tomar conhecimento de acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra dois de nossos funcionários. As alegações são ultrajantes - nenhum deles ajudou a disseminar material contendo abuso sexual de crianças ou desobedeceu ordens judiciais. Ambos trabalharam durante anos com o MPF para combater a pornografia infantil no Brasil. É, portanto, incompreensível que o MPF tenha feito acusações sem fundamento e que tenhamos tomado conhecimento delas por meio de um comunicado à imprensa.

O abuso sexual infantil é um problema global e o sucesso em seu combate depende de todos trabalhando juntos - autoridades públicas, empresas de internet e organizações sem fins lucrativos. Essas alegações injustas contra nossos funcionários enfraquecem a cooperação construída nos últimos anos entre as autoridades brasileiras e o Google para combater o abuso sexual de crianças. Esperamos que essas acusações sejam rejeitadas para que nossos funcionários possam continuar a ajudar na luta contra a exploração sexual de crianças on-line.

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