Google abre inscrições para envio de kits de desenvolvimento do Project Ara

Por Redação | 15 de Julho de 2014 às 14h26
photo_camera Divulgação

Um dos projetos mais promissores dos últimos meses é o Project Ara, do Google. Até então, as únicas coisas que vimos sobre os smartphones modulares foram aquelas que a própria empresa divulgou em alguns vídeos promocionais, e mais recentemente na conferência I/O, no final de junho. Agora, o conceito de celulares montáveis da gigante das buscas passará por uma fase importante e decisiva.

Nesta semana, o Google abriu inscrições para desenvolvedores interessados em adquirir um kit de desenvolvimento (MDK - Module Developers Kit, na sigla em inglês) do produto. Quem quiser ingressar no programa de testes deve acessar o site do Project Ara e efetuar um cadastro até às 23h59 do dia 17 de julho. Os primeiros selecionados receberão o MDK até o final deste mês. Depois, um novo período de inscrições será aberto nesta sexta-feira (18), e vai até o dia 17 de agosto, quando outros kits serão enviados aos testadores.

É importante destacar que, para participar, o usuário deve ser um desenvolvedor e mostrar que está realmente comprometido com o projeto. Segundo o site Pocket Now, o Google levará em consideração nesta primeira fase a experiência do profissional com hardwares modulares.

De acordo com Eduardo Ruiz, um dos engenheiros que trabalham no Ara, o MDK que será enviado aos desenvolvedores inclui os mesmos módulos demonstrados na Google I/O. Além disso Ruiz afirma em seu perfil no Google+ que um novo kit será disponibilizado ainda no final deste ano, logo após a segunda conferência focada no projeto, que acontecerá em novembro. É nesse evento que serão reveladas novidades sobre o Ara, além de reunir aqueles que puderam testar o MDK do dispositivo.

Embora o Google tenha limitado as inscrições apenas para desenvolvedores, esta é uma atitude que mostra como a empresa está preocupada em entregar um produto funcional e que realmente seja da forma como está sendo divulgado.

Além disso, não deve demorar muito até que uma nova fase de inscrições seja aberta, também para consumidores comuns, do mesmo jeito que aconteceu com os óculos de realidade aumentada Google Glass. Dois meses depois de ser anunciado, em abril de 2012, a companhia colocou à venda uma versão do acessório por US$ 1.500 na Google I/O, em junho, mas apenas desenvolvedores que foram à conferência puderam adquiri-lo. Meses depois, o gadget entrou em fase beta com usuários comuns por meio do Programa Explorer - que hoje está aberto para qualquer morador dos Estados Unidos e Reino Unido.

Como funciona o Project Ara

project ara

Basicamente, o Ara permite ao usuário trocar os componentes do aparelho em vez de comprar um novo quando ele achar necessário. Por exemplo, se a câmera apresentar um problema, basta trocar o bloco que corresponde ao acessório por um novo, assim como adicionar conectividade 4G, melhorar o hardware, processador, tela e outras partes já presentes em um smartphone. Ou seja, a ideia é que o consumidor gaste menos dinheiro para renovar seu dispositivo móvel e tenha mais flexibilidade na hora de escolher quais componentes se encaixam melhor no gadget.

O MDK do Project Ara já revelou pelo menos três tamanhos distintos de smartphones modulares: mini, médio e grande, cada um com configurações diferentes. Eles medem aproximadamente 100 (mini), 120 (médio) e 140 (grande) milímetros de comprimento e 40 (mini), 60 (médio) e 80 (grande) milímetros de largura. Outra característica é que o modelo mini possui uma proporção de 2x5 espaços para módulos, o modelo médio tem 3x6 espaços e o grande 4x7 espaços.

A comunicação entre um módulo e outro acontecerá através de um endoesqueleto equipado com a UniPRO, uma interface de alta velocidade desenvolvida para interligar circuitos integrados. A ferramenta foi adaptada para o Ara permitindo que os componentes se comuniquem entre si via ligações ponto-a-ponto, já que as peças são fixadas no aparelho por meio de eletroímãs permanentes. Dessa forma, o produto dispensará o uso de pressão ou qualquer tipo de dobradiça para conectá-los.

Inicialmente, o tal endoesqueleto terá oito slots traseiros para o encaixe de módulos menores, dois slots frontais para receber o display e alguns conjuntos de botões. Ao longo do tempo, as fabricantes interessadas em investir no Project Ara poderão criar novos módulos e aumentar ainda mais a gama de personalização do usuário. A previsão é que o primeiro smartphone do projeto seja lançado ao consumidor final em janeiro do ano que vem.

Durante a Google I/O 2014, a empresa demonstrou o funcionamento de um celular do Project Ara rodando uma versão modificada do sistema operacional Android. O aparelho enfrentou problemas para iniciar e travou em alguns momentos, mas funcionou bem para um dispositivo que ainda está em fase inicial de testes. Assista:

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