Google Glass: como é testar o gadget? Programadora responde a perguntas em fórum

Por Bruna Rasmussen | 25 de Junho de 2013 às 13h46

Com seu conceito inovador, o Google Glass ganhou destaque na mídia e posição privilegiada entre os objetos de desejo dos entusiastas da tecnologia. Poucos, no entanto, tiveram a chance de testá-lo de verdade e entender, de perto, como os óculos inteligentes da Gigante funcionam.

Recentemente, Barbara Lepage, uma programadora de 22 anos, identificada pelo apelido db0company, se dispôs a responder no fórum Reddit a perguntas acerca do Glass, gadget que ela está testando há mais ou menos duas semanas. Como ele funciona? Qual é seu principal ponto negativo? Como as pessoas reagem ao ver o protótipo na rua?

Testando o gadget: o mundo na altura dos olhos

O Google Glass é um par de óculos inteligente que, a partir de uma pequena tela na lateral da armação, consegue trazer informações de GPS, fazer e receber ligações e notificações, tirar fotos e gravar vídeos, entre outras coisas. O protótipo, segundo a programadora que o testou, é bastante leve e não incomoda a visão, já que a tela não fica ligada o tempo todo.

“Por padrão, a tela fica desligada. Para ligá-la, você precisa dar um toque no touchpad ou erguer a cabeça. Quando ele liga, você pode ver as horas”, disse ela. A estranheza de ter uma pequena tela no campo de visão não parece ser tão incômoda na prática. “Eu o tenho em meu rosto e o uso todos os dias (geralmente por breves períodos, ele não é feio para ser usado por muito tempo) e eu não sinto desconforto algum”, completou.

Screenshot do Google Glass

Screenshot da tela do Google Glass ao dar o comando inicial "Ok Glass". Fonte: Reprodução/Barbara Lepage

A tela do Glass foi pensada para mostrar informações breves, como notificações, previsão do tempo ou indicação de uma rota. Contudo, mesmo no caso de navegar pelo álbum fotos de um perfil de rede social, uma atividade que pode passar dos dez, vinte minutos, a tela não irrita os olhos, garante Barbara.

Prático e integrado ao dia a dia

Para ela, as melhores funções do Google Glass são poder tirar fotos e gravar vídeos sem precisar ocupar as mãos, enviar mensagens sem digitar (apenas falando), buscar coisas no Google rapidamente, ouvir suas mensagens de email enquanto anda na rua e descobrir a rota mais fácil para chegar aos lugares usando o GPS. No fim das contas, o Google Glass parece mesmo poder facilitar a vida. Mas será que ele funciona bem?

De acordo com Barbara, todas as ações são feitas de forma bastante rápida e natural no Glass, dando ao usuário a chance de curtir mais a vida. Se você está em um bar com seus amigos, por exemplo, e recebe uma mensagem no celular, você vai parar a conversa, desbloquear o celular, ler a mensagem, aproveitar para verificar suas outras cinco redes sociais, atualizar um aplicativo e... ops! Era para você estar com seus amigos! No caso do Glass, a mensagem seria mostrada rapidamente e você poderia voltar à vida real em poucos segundos, sem se perder no encantador labirinto do smartphone.

Foto com o Google Glass

Foto tirada com o Google Glass. Fonte: Reprodução/Barbara Lepage

O protótipo do Google Glass custa hoje US$ 1.500 (cerca de R$ 3.000), um valor alto por se tratar de um teste. A programadora acredita que, se o Glass realmente for colocado à venda, ele saia com um preço próximo de US$ 200 (R$ 400), com o objetivo de popularizar-se e perder o rótulo de “ciborgue” e “esquisito” que ainda está atrelado ao produto.

Mesmo assim, segundo Barbara, as pessoas que cruzam com ela e o Google Glass pelas ruas de São Francisco, nos EUA, onde ela mora, não costumam olhar com espanto. “A maioria das pessoas apenas não se importa. Eu não sei se é porque elas estão acostumadas com coisas estranhas ou porque elas pensam que é um par de óculos normal ou se elas apenas não percebem nada diferente”, comentou.

Contudo, a empolgação e a curiosidade das pessoas mais jovens não deixa o Glass passar despercebido. “A maioria das pessoas que o perceberam (na faixa dos 20 anos) me perguntaram sobre ele. A maioria sabe o que é (elas o chamam de “Google Glasses”) mas eles não sabem exatamente o que ele faz, então eu gasto alguns minutos para explicar um pouco sobre o gadget”, disse ela.

A ser melhorado

Mesmo com tantos pontos positivos e o hype que envolve o produto, nem tudo são flores para o Google Glass. A programadora afirma que o reconhecimento de voz ainda é meio travado, exigindo que você fale pausadamente para ser compreendido. Além disso, só é possível falar com o Glass em inglês – não seria bom se ele fosse ao menos poliglota?

Barbara reforça ainda que o Glass não é um gadget independente, precisando ser conectado ao celular ao ou laptop para fazer coisas como adicionar contatos e redes Wi-Fi conhecidas. Outro ponto negativo fica por conta do touchpad, um botão sensível ao toque localizado na lateral da armação, que acaba sendo sensível em excesso e acionando comandos indesejados.

Apesar de tudo, a programadora afirma estar tendo uma experiência bastante positiva com o gadget e deixa a dica: ela gostaria de ter apps para ler notícias (como uma espécie de RSS) e para seguir receitas enquanto cozinha – assim, quem sabe, o celular não fica sujo de molho enquanto o jantar é preparado.

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