Fusões e aquisições: gerenciar é desafio crescente

Por Colaborador externo | 24 de Setembro de 2013 às 07h35

Edgard Bello (*)

Pesquisa com profissionais de finanças realizada pela Business Performance Innovation (BPI) e Adaptive Planning, revelou que 84% das empresas afirmam ter a necessidade de gerenciar várias unidades de negócios ao mesmo tempo, sendo que 2/3 delas possuem múltiplas entidades geográficas. Mais de 1/3 se fundiu ou adquiriu empresas com presenças globais. Mais de 70% não estão completamente satisfeitas com o atual processo de consolidação em curso e 58% gostariam de melhorar a precisão e qualidade dos dados em seu processo de consolidação e elaboração de relatórios no final do mês.

Esta preocupação pode ser explicada pelo número de transações entre empresas, envolvendo as fusões e aquisições. Só no Brasil, segundo levantamento da consultoria PriceWaterhouseCoopers (PwC), o número de fusões e aquisições até abril chegou a 257 negócios, número recorde para o período. De acordo com o levantamento, que é feito desde 2002, em abril foram anunciados 74 transações, o que corresponde a 29% do total anunciado em 2013.

O levantamento também aponta as compras majoritárias de participação, que foram o principal tipo de negócio nos primeiros quatro meses de 2013, com 139 transações ou 54,1% do total anunciado até abril. As compras de participações minoritárias somaram 95 negócios (36,9%) e as Joint Ventures reuniram 9 (3,5%). Soma-se a isso 8 fusões, além de 5 transações e incorporações registradas.

O desafio para os administradores a partir destas transações é a gestão das empresas envolvidas, agora em um novo cenário administrativo: a necessidade da consolidação das contas, mantendo-se a independência de cada companhia envolvida, até que se defina por qual modelo seguir.

Para atender a esta demanda, os fornecedores de tecnologia se esforçam para entregar soluções que garantam esta consolidação dos dados financeiros, possibilitando que os gestores sejam capazes de gerenciar estruturas cada vez mais complexas, com unidades de negócios com características próprias, inclusive em relação à fonte de dados, estrutura contábil, modelo de negócio e outros detalhes, e que vivenciam grandes mudanças, incluindo até mesmo a troca de reporte para outros níveis da estrutura. Sem falar no aumento da abrangência territorial, em boa parte com várias unidades de negócios em outros países, envolvendo, inclusive moedas diferentes.

Consolidar esta grande variedade de dados também pode envolver vários sistemas diferentes de gestão, o que aumenta o desafio. Se as tecnologias que se propõem a auxiliar os gestores neste desafio devem ser abrangentes e devem levar em conta cenários dos mais diversos, por sua vez, os gestores devem ter em mente que a consolidação dos dados pode ser uma ciência exata, mas os mercados são dinâmicos e – muitas vezes – pregadores de peças. Ter consciência disso é um passo importante para garantir não ser pego de surpresa por qualquer intempérie dos negócios, que são, na verdade, mais comuns que se imagina.

(*) CEO da ODE Peopleware, distribuidora da Adaptive Planning no Brasil.

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