Fundador da Amazon diz não se importar com fracasso do Fire Phone

Por Redação | 03 de Dezembro de 2014 às 10h14

Na semana passada, o Fire Phone, smartphone tridimensional da Amazon propagandeado como uma grande revolução, teve os sinais de dificuldade no mercado confirmados pela empresa, que confirmou a redução do preço do aparelho US$ 199, menos da metade do preço original. Mas para o fundador da empresa, Jeff Bezos, esse fracasso não tem importância.

Falando durante a conferência Ignition, organizada pelo site Business Insider, o fundador da loja online disse que, para sobreviver no mundo da tecnologia, é preciso fazer apostas ousadas e que elas nem sempre dão certo. Isso é algo comum, totalmente aceitável e, inclusive, incentivado dentro da empresa, caso contrário nenhum lançamento e produto inovador jamais passarão da fase de “experimento”.

O aspecto financeiro da coisa também não é uma preocupação para o executivo. Segundo ele, a Amazon já fez bilhões de dólares com produtos que foram considerados fracassos comerciais e possui dezenas de serviços extremamente bem-sucedidos. Assim, ela consegue, de maneira muito fácil, compensar um fracasso ou outro de forma que ele não impacte em seus números finais simplesmente porque tais equipamentos dificilmente constituem uma parcela grande de toda essa operação.

Entre os exemplos de serviços que sustentam a companhia para que ela possa brincar estão os serviços Amazon Prime e Web Services, além da divisão do Kindle e a loja de aplicativos Marketplace. Muitos deles, inclusive, não foram bem vistos pelo público em seu lançamento, mas, agora, são parte integrante da estrutura da companhia.

Vale a pena notar que, em sua fala, Bezos não citou as vendas da Amazon em si. A impressão que fica é que tal aspecto está tão enraizado no negócio que ele nem mesmo é considerado como um produto de inovação e, como não poderia deixar de ser, se tornou a estrutura da companhia. Foi ele quem permitiu que a empresa seguisse adiante e, agora, são justamente os produtos que vieram disso que permitem o investimento em novas ideias como o Fire Phone.

Embora todo mundo dê o smartphone como morto, Bezos diz que ainda é muito cedo para falar disso. Ele acredita que o mercado ainda está aprendendo com as possibilidades levantadas pelo produto e que a empresa continuará trabalhando com ele por pelo menos alguns anos, de forma a adequá-lo ao gosto dos usuários e transformar o cenário negativo atual em sucesso.

Mas e se não der certo? “Foi uma aposta que valeu a pena fazer”, respondeu o fundador da Amazon. Para ele, nunca é divertido perder mercado ou ver um produto indo mal nas prateleiras, mas “abraçar o fracasso” é um dos parâmetros essenciais para a Amazon, fazendo com que ela lide muito bem com isso e, acima de tudo, tenha espaço para manobrar e sair de possíveis buracos cavados por ela mesma.

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