Executivos comentam a experiência de ter suas empresas vendidas para o Google

Por Redação | 02 de Janeiro de 2014 às 10h35

“É como parar de fazer barquinhos de papel para lidar com soldas e aço na construção de uma frota completa”. É assim que Sam Schillace, ex-diretor de engenharia do Google, define sua experiência de aquisição e integração de sua velha companhia, a Writely, para a gigante da tecnologia. O movimento foi essencial para a criação do Docs, um dos principais serviços da marca.

Ele, ao lado de Dave Baggett, da ITA Software, relataram ao site Business Insider a experiência de ter uma startup comprada pelo Google, mas de dois pontos de vista bem diferentes. Enquanto Schullace falou do aspecto tecnológico da coisa, seu companheiro de reportagem comentou sobre o lado do mercado, com aprovações governamentais e muita burocracia.

Baggett diz não ter permanecido como funcionário do Google após a aquisição da ITA – que hoje serve como um software para busca de passagens junto às empresas aéreas – mas diz ter participado ativamente da incorporação da startup, vendida em 2010 por US$ 700 milhões. Um processo que, segundo ele, é dolorido para a companhia comprada.

Ele se refere, especificamente, à administração altamente centralizada do Google, com pouca informação sendo passada para executivos e empregados da companhia comprada. Ainda assim, Baggett afirma que todo o procedimento foi realizado de maneira ética e justa com todos, até mesmo aqueles que decidiram não permanecer na companhia após a aquisição.

No caso específico da ITA Software, lembra o executivo, o departamento de justiça dos Estados Unidos exigiu o preenchimento do HSR, um documento referente a leis e regulações antitruste. O processo atrasou a integração, que acabou levando 10 meses para ser concluída, e gerou um grande levantamento de informações sobre as corporações.

Falando de forma mais emocional, o ex-diretor da ITA afirma que vender a própria empresa é como dar o próprio filho para adoção e conta ter ficado doente após tanto stress. Ser adquirido pelo Google, porém, pode ser o sonho de muitos empreendedores, e Baggett afirma que não hesitaria em passar por tudo de novo, pois se identifica com os ideais da gigante e entende a cultura aplicada por ela.

Trabalho em grande escala

Writely

O Writely, adquirido em 2006, foi um dos embriões do que viria a se tornar, mais tarde, o Google Docs. Na época, a empresa era formada por quatro pessoas, que foram trabalhar na gigante para ajudar a converter o código às tecnologias do Google. Uma experiência descrita por Schillace como “intensa, divertida, muito difícil e assustadora”.

Segundo ele, o grupo teve de aprender cerca de 12 tecnologias em três meses, além de portar todo o código do Writely para a linguagem Java. Isso sem contar a agenda de reuniões, encontros com executivos e toda a burocracia envolvida na aquisição, que tornou todo o processo muito mais complicado.

Schillace conta também que não recebeu muita orientação sobre os processos internos do Google. Todos os membros do Writely receberam mesas, computadores e acesso à intranet, com o restante a cargo deles mesmos. O executivo, porém, lembra a grande ajuda de diversos figurões do Google, como os fundadores Larry Page e Sergey Brin, além de um dos principais executivos da companhia, Eric Schmidt.

Além disso, ele relata uma grande competição interna com os “novatos”. Segundo Schillace, todos os funcionários da empresa estão de olho nos recém-chegados e, sendo assim, é melhor ficar de olho no que é feito ou falado nos corredores do Google durante os primeiros dias de trabalho por lá.

Por fim, ele caracteriza a experiência como extremamente positiva. Ele permanece no Google até hoje, como diretor de engenharia do Gmail, e é vice-presidente sênior da Box, uma empresa especializada em softwares de gerenciamento de conteúdo e colaboração na nuvem. Já Dave Baggett fundou a Arcode, focada em experiência de usuário, e é membro da diretoria da Boston Microfluidics e da Universidade de Maryland.

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