Executiva do Facebook pede mais ambição profissional às mulheres em livro

Por Redação | 19 de Março de 2013 às 12h08

Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, é mãe de dois filhos e, atualmente, é considerada a mulher mais poderosa do mundo, segundo ranking da revista Forbes. No entanto, a posição das mulheres no mercado de trabalho e a falta de reconhecimento fez com que Sheryl decidisse contar um pouco da sua história profissional em um novo livro, intitulado 'Lean in: Women, Work and the Will to Lead' (algo como Curve-se: Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar, em tradução livre), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos e chegará ao Brasil pela editora Companhia das Letras em abril. A notícia saiu no jornal O Estado de S. Paulo.

O estopim para a executiva decidir escrever seu livro foi uma situação vivida pela própria Sheryl. O fato aconteceu em uma sala de conferências em Nova York, Estados Unidos, onde ela e sua equipe estavam apresentando um novo negócio a uma companhia de private equity, e quando deu o horário do intervalo da reunião, Sheryl Sandberg perguntou a um dos executivos da empresa onde era o banheiro feminino.

Sem saber o que responder, o executivo afirmou que não sabia onde ficava o banheiro feminino, pois a empresa tinha acabado de se mudar para o novo prédio - a mudança havia acontecido há um ano. A executiva, por sua vez, não ficou satisfeita com a resposta e perguntou se, em um ano, nenhuma mulher havia estado ali para propor um novo negócio, e ele respondeu que acreditava que não ou pelo menos essa mulher não precisou usar o banheiro.

A diretora do Facebook , que já esteve à frente de cargos importantes no Banco Mundial, Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e no Google, acredita que a cena do banheiro indica que o mundo ainda não chegou onde ela gostaria. "Já é hora de enfrentarmos o fato de que nossa revolução empacou", escreveu Sheryl em seu livro, afirmando que ainda existem muitos obstáculos a serem vencidos pelas mulheres.

O livro faz parte de mais uma etapa de seu projeto para que o mundo consiga enxergar o papel da mulher no mercado de trabalho e sua importância em cargos de liderança. Ao longo de seu texto, Sheryl Sandberg cita dados e pesquisas que mostram que as mulheres que optam por ficar um ano em casa cuidando de seus filhos após seu nascimento têm 20% de retração em seu salário, e que as mulheres no mercado de trabalho gastam, em média, duas vezes mais tempo cuidando da casa e dos filhos do que os homens.

Sheryl Sandberg Facebook

Sheryl Sandberg (Reprodução: The Guardian)

Sheryl defende que o problema também está centrado na posição das próprias mulheres. "Nós nos retraímos em coisas grandes e pequenas, por falta de autoconfiança, por não levantarmos nossas mãos, e por recuarmos quando deveríamos avançar", defende a executiva. "Nós internalizamos as mensagens negativas que recebemos durante todas as nossas vidas - as mensagens que dizem que é errado nós sermos francas, agressivas, mais poderosas do que os homens. Nós baixamos as próprias expectativas do que podemos alcançar. Continuamos fazendo a maior parte do serviço doméstico e do atendimento aos filhos. Comprometemos nossos próprios objetivos de carreira para abrir espaço para parceiros e filhos que podem nem sequer existir ainda".

A opinião de Sheryl tem gerado uma série de críticas por parte de grandes publicações norte-americanas, que afirmam que a executiva está vendo a situação de forma elitista e ingênua. Muitos autores têm afirmado que para a executiva, que possui um bom pacote de ações do Google e Facebook, e uma casa com muitos empregados, é muito fácil afirmar que as mulheres devem se dedicar mais à sua carreira e ter mais ambição, algo que pode ser muito difícil para a mulher da classe média.

E ainda em seu livro, Sheryl Sandberg também reconhece a presença de questões externas para o desenvolvimento da carreira profissional de uma mulher como o preconceito e a discriminação. Mas, o foco maior do título são os entraves pessoais que as mulheres colocam para o seu desenvolvimento profissional. Além disso, esta é a primeira etapa do projeto da executiva, que planeja criar clubes para mulheres que buscam cargos de liderança, onde elas possam se encontrar ao menos uma vez por mês para discutir estratégias e conflitos.

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