Ex-designer da Apple revela qual o verdadeiro diferencial da empresa

Por Redação | 26.05.2014 às 08:49

A Apple é sinônimo de design e, embora pouco se saiba a respeito de seu processo de criação, costuma-se dizer que o diferencial da empresa em relação às demais é o fato de submeter rigorosamente todo o processo de desenvolvimento dos seus produtos ao design. Mas, de acordo com Mark Kawano, que trabalhou por 7 anos como designer sênior da empresa, isso não é verdade.

Em entrevista ao site fastcodesign.com, o ex-funcionário da companhia disse que a Apple é, antes de tudo, uma empresa de engenharia. A diferença, segundo ele, é que os engenheiros da Apple sabem pensar como designers.

Em vez de ter de lutar por recursos e tentar explicar aos executivos cabeça-dura os rudimentos do projeto, todos na Apple são fundamentalmente solidários com o que Jony Ive e sua equipe de design está tentando desenvolver.

"Todos pensam no design e na experiência do usuário, não apenas os designers. E é isso que torna o resultado final dos produtos muito melhor", disse Kawano.

Os limites ainda são colocados pela equipe de engenharia pois o projeto tem de ser prático o suficiente para ser produzido em massa, mas todos na companhia, completa Kawano, são "designers de coração".

Essa cultura, claro, foi implementada por Steve Jobs, a quem Kawano desmitifica um pouco a fama de implacável: "Eu acho que Steve tinha tolerância muito baixa para as pessoas que não se importavam com essas coisas." Se você se importava, porém, Kawano diz que Jobs era "super-acessível".

O ex-designer sênior da companhia, que trabalhou em projetos como o iPhoto, também disse que a Apple não emprega um grande número de especialistas em design. "Eu sabia o nome de cada um", brincou ele. Ao contrário de empresas como Facebook e Google que podem ter até mais de 1.000 pessoas envolvidas, na Apple cada equipe de projeto é composta por cerca de 100 pessoas para os principais produtos.

Entretanto, isso pode estar mudando, já que ter uma equipe menor e realmente focada fazia mais sentido quando Steve Jobs estava lá, pois a maior parte das ideias vinha diretamente dele.