Engenheiro do iTunes confirma que Apple tinha planos para bloquear concorrentes

Por Redação | 16 de Dezembro de 2014 às 11h28

As acusações de que, com o iPod, a Apple tentou dificultar o acesso de seus concorrentes ao mercado se tornaram mais intensas na última semana, após um ex-engenheiro do iTunes admitir, em tribunal, que a empresa realmente tinha um sistema para bloquear concorrentes. De acordo com Rod Schultz, que serviu como testemunha em um processo antitruste contra a companhia, tudo fazia parte de um combate da Maçã contra a pirataria.

A ideia, de acordo com o desenvolvedor, era que músicas adquiridas em serviços concorrentes fossem impedidas de entrar nos iPods dos clientes, e caso o usuário conseguisse fazer isso, fossem apagadas em algum momento. Além disso, sistemas em vigor no iTunes dificultavam o funcionamento de softwares com outros players de música, de forma a fazer parecer que os aparelhos da Apple eram os melhores naquilo que faziam.

Tais ações teriam sido realizadas entre 2007 e 2009 e teriam a aprovação do próprio CEO e fundador da empresa, Steve Jobs. Tudo acontecia por meio de atualizações de sistema que, ao identificarem dados externos no HD dos iPods, afirmava que existiam informações corrompidas ali. Após o processo de restauração, o aparelho voltava para suas configurações de fábrica, só que ao restaurar o backup, apenas as faixas não identificadas como da concorrência voltavam para a memória.

Com isso, um grupo de usuários e especialistas do estado americano da Califórnia acusa a Apple de agir diretamente contra a concorrência, dificultando o funcionamento de outros produtos na mesma medida em que aumenta os preços dos próprios aparelhos. Com isso, solicitam uma indenização de US$ 350 milhões, um valor que pode até ser duplicado caso as suspeitas antitruste sejam confirmadas em julgamento.

Schultz foi intimado por causa de um trabalho acadêmico escrito por ele em 2012, no qual cita a existência de uma guerra secreta entre a Apple, os hackers e a pirataria de música. No documento, ele cita especificamente o bloqueio de outros serviços em dispositivos da empresa, mas devido ao fato do estudo não ser uma prova aceitável em tribunal, o especialista acabou sendo intimado a depor, algo que ele afirmou ter feito a contragosto e apenas por ter sido obrigado judicialmente.

Falando ao The Wall Street Journal, o engenheiro foi além e disse que as atitudes da Apple na época refletiam o estado do mercado musical como um todo. Ele diz que na época, esse segmento era fortemente afetado pela pirataria e os sistemas de proteção e vendas de música da empresa foram alguns dos principais responsáveis por seu domínio do segmento no país.

Em resposta, também nos tribunais, a Apple afirmou que os sistemas de suposto bloqueio são, na verdade, maneiras de proteger os dispositivos e também a experiência dos usuários. Para a companhia, os iPods poderiam não funcionar tão bem assim com sistemas de codificação variados e diversos formatos de arquivo, por isso a identificação de corrupção de arquivos era feita sempre que alguma anomalia era identificada. A marca negou qualquer acusação de tentar dificultar a vida da concorrência com tais ações.

Schultz foi a última testemunha do processo, que segue em deliberações finais nesta semana. Uma decisão final, porém, ainda deve demorar a sair, pois independentemente do resultado, tanto a Apple quanto os reclamantes ainda podem recorrer.

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