Empresas de tecnologia podem pagar US$ 324 milhões em processo trabalhista

Por Redação | 28 de Abril de 2014 às 09h11

Um processo que poderia gerar até US$ 9 bilhões em perdas para quatro das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos pode acabar sendo resolvido antes mesmo de seu julgamento, e por um valor muito menor. De acordo com reportagem publicada pela Reuters, Google, Apple, Adobe e Intel teriam chegado a um acordo para pagar US$ 324 milhões aos responsáveis por uma ação trabalhista conjunta aberta em 2011.

Aberto por dez ex-funcionários das empresas, em nome de 64 mil deles, o processo as acusa de conspirarem para evitar o aumento de salários na região do Vale do Silício, a Meca da tecnologia nos Estados Unidos. A ideia é que as companhias teriam trabalhado juntas para que os salários de seus empregados não fossem revelados para recrutadores, de forma a evitar comparação e a exigência de pagamentos maiores para aqueles que estivessem ganhando menos.

O valor registrado no processo inclui não apenas a diferença no ordenado, mas também reparações de danos causados pela prática, e chegaria a US$ 3 bilhões. Leis antitruste dos Estados Unidos, porém, poderiam acabar levando esse total a mais de US$ 9 bilhões, daí a necessidade das empresas de, mais uma vez, trabalharem juntas, mas com o ideal de resolver a questão.

Mais do que isso, a realização de um julgamento, que estaria marcado para começar até o final do mês de maio, poderia resultar no vazamento de documentos e informações confidenciais, como acontece na atual ação de patentes da Apple contra a Samsung. E essa é uma questão que pode causar mais do que danos financeiros e que as companhias, com certeza, gostariam de evitar a todo custo.

Uma das provas que fazem parte do caso, por exemplo, é uma troca de e-mails entre Steve Jobs, da Apple, e Eric Schmidt, do Google. Nos e-mails, o CEO da gigante das buscas afirma que um recrutador de sua empresa será demitido por ter perguntado a um funcionário da Maçã sobre o salário que ele recebia por lá. O criador do iPhone respondeu com um smiley, mostrando sua concordância com a prática.

Em outra comunicação online, Schmidt afirma a um dos diretores de recursos humanos do Google que prefere falar sobre seus acordos com outras companhias apenas verbalmente, principalmente no que diz respeito a questões salariais. A atitude seria uma forma de, nas palavras dele, evitar a criação de provas que possam ser usadas contra a companhia em um eventual processo.

A ideia, segundo especialistas ouvidos pela Reuters, é que a revelação de mais mensagens do tipo possa fazer com que os executivos das companhias soem mal tanto para os juízes quanto para o público em geral. Por esse motivo as empresas estariam levando em consideração estabelecer um acordo fora dos tribunais, apesar de existir a possibilidade da ação ser invalidada devido a leis que proíbem uma ação conjunta contra empresas distintas.

Se confirmado, o acordo deve ser registrado junto à corte responsável pelo caso até o dia 27 de maio e, na sequência, passar por aprovação dos juízes envolvidos. Apple, Google e Intel negaram comentários, enquanto a Adobe diz não ter participação alguma em casos desse tipo, mas que estaria disposta a realizar acordos de forma a evitar os danos e prejuízos decorrentes de uma ação judicial.

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