Empresas aproveitarão bastante dos wearables, afirma executiva da Motorola

Por Redação | 29 de Julho de 2014 às 06h05

Enquanto o mundo ainda se pergunta se coisas como relógios integrados a celulares, óculos como o Google Glass e outros produtos do tipo vão vingar, a Motorola já pensa em um outro nicho de mercado. Para a fabricante, serão as empresas as principais beneficiadas pela onda das tecnologias vestíveis, aderindo rapidamente aos dispositivos do tipo e criando novas maneiras de engajar seus clientes e interagir com eles.

A palavra é de Nicola Tricoukes, diretora do projeto HC1 da Motorola Solutions, que está trabalhando em um computador headset voltado justamente para o mercado corporativo. O dispositivo permite que os usuários trabalhem em conjunto sem a necessidade de estarem diante de um computador, por meio de câmeras, telas e outras tecnologias.

Citada como uma “sênior maverick”, algo como uma “provocadora sênior” da Motorola, Tricoukes foi contratada justamente para pensar fora da caixa. E é justamente dessa forma que se encaixa a declaração da executiva, que conforme reportou o Venture Beat, atrelou o uso de tecnologias vestíveis ao mundo da Big Data e a um envolvimento muito maior com os clientes.

Para ela, a adoção das tecnologias vestíveis pelas empresas virá antes mesmo que a popularização no mercado de consumo, já que as companhias verão nos relógios, óculos, pulseiras e outros uma forma de servir seus consumidores e ampliar ainda mais a relação que já existe entre eles.

Além disso, a captura de informações a partir de wearables deve facilitar, e muito, o processo de obtenção de informações relevantes e análise delas, já que o cotidiano de cada cliente também poderá ser explorado. Tal uso ampliará significativamente o potencial de sistemas de Big Data e, com a análise correta, vai permitir que as companhias tenham mais noção do que realmente quer seu público alvo e trabalhar diretamente com eles em busca de opções agradáveis.

Vestíveis corporativos

HC1 headset

Assim como sua empresa-irmã, a Motorola Mobility, a divisão Solutions da fabricante de celulares foi adquirida recentemente pela Zebra Technologies, em um negócio no valor de US$ 3,45 bilhões. Tricoukes não falou muito sobre a aquisição em si, mas disse que existe uma grande paixão por esse tipo de tecnologia em sua nova controladora e que ela abraçou desde o início a visão um pouco fora do usual tocada pela companhia no momento.

“Fora do usual” seria justamente o termo para definir o headset HC1, que tem cara de dispositivo de filme de ficção científica e é completamente focado no mercado corporativo, mais especificamente, empresas multinacionais ou que trabalham com fabricação. O projeto encontra-se em fase de desenvolvimento e, quando lançado, deve custar de US$ 4 mil a US$ 5 mil por unidade.

O alto valor, porém, pode gerar frutos como uma economia de dezenas ou centenas de milhões de dólares. Entre as funcionalidades do HC1 está, por exemplo, uma opção que exibe plantas de funcionamento de dispositivos, facilitando a vida dos gerentes de linhas de montagem e evitando que as peças erradas sejam encomendadas, um erro bastante comum no mercado de tecnologia e que, normalmente, resulta em prejuízo.

Além disso, treinamento e suporte remoto são outras possibilidades por trás da nova tecnologia. A ideia é que alguém de nível superior, por exemplo, poderia auxiliar remotamente um ou mais funcionários ao mesmo tempo, à distância, por meio do headset. O HC1 é capaz de reproduzir áudio e mostrar indicações do que fazer, tudo diretamente nos olhos do colaborador e ao mesmo tempo em que ele trabalha com as duas mãos e é observado por uma câmera.

É uma ideia inusitada que, assim como a aparência do dispositivo, parece coisa de cinema. Mas para a Motorola Solutions, isso tem todo o potencial para funcionar e é, atualmente, um de seus grandes projetos. Mas, como sempre, fica a dúvida: será que vinga?

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