Empreendedorismo sem idade ou fronteiras na Irlanda

Por Colaborador externo | 01.12.2014 às 10:08

por David Abuhab*

Acostumado ao ecossistema brasileiro de inovação e startups, fui surpreendido em Dublin este ano, no Web Summit. O evento por si só já pode ser considerado um case de uma startup de sucesso. Quatro anos após a sua primeira edição, com 400 participantes, agora detém o título de uma das maiores conferências de tecnologia e empreendedorismo do mundo, com mais de 22 mil participantes.

No palco palestravam empreendedores de sucesso, que estão no comando de empresas bilionárias. Alguns nomes como Peter Thiel, fundador do PayPal e um dos primeiros investidores do Facebook, Brendan Iribe, que conquistou o Mark Zuckerberg, fundador do Facebook com seu protótipo de óculos de realidade virtual, Oculus Rift e Drew Houston, fundador de um dos serviços que revolucionou o uso do armazenamento de dados da nuvem, o Dropbox.

O assunto recorrente durante os três dias de evento eram as boas práticas de diversas indústrias, cultura empresarial, concorrência e previsões do futuro. Mas, o que a plateia estava ávida a ouvir era a história pessoal de cada um daqueles que conquistaram o sucesso: o que eles fizeram de diferente; o que os levou a colocar em suas ideias em prática; a largarem os estudos e apostar em tudo no desconhecido. A conclusão, após as palestras, é a coragem como ponto em comum, para acreditar e superar as dificuldades inerentes ao início.

Nos diversos pavilhões de exposição eram apresentadas startups em todas as suas fases, desde iniciantes a consolidadas, com seus criadores demonstrando a coragem necessária para quem sabe ser “the next big thing”. E esses corajosos vinham de todas as partes do mundo, de todas as idades: dos jovens, que ainda se quer entraram na faculdade; aos que já tinham uma história de vida e mesmo assim com algo novo para mostrar e montar seu próprio negócio.

No entanto, uma coisa ficou muito clara. Entre as mais de 1000 startups que lotavam todos os salões, grande parte delas, principalmente as jovens, estavam buscando serem os novos Facebooks, Instagrams ou WhatsApps. O social embrenhado em tudo e todos esperando que milhões venham fazer parte de seu novo app. De fato, muitos não tinham claro seu diferencial ou mesmo como um dia a ideia poderia virar um negócio.

No entanto, ter um modelo de negócio bem desenhado, talvez não seja o que muitos estejam buscando. Eles já têm a coragem, querem fazer parte do jogo, buscar a qualquer custo ser a próxima estrela do mundo da tecnologia e alguns deles mesmo assim conseguirão.

Agora, de volta ao Brasil, acredito que possamos um dia nos tornar o berço dessas estrelas.Temos um longo caminho pela frente, eu sei, mas quem sabe, em breve teremos um brasileiro no palco principal do Web Summit, contando sua historia de sucesso. Acredito no potencial do país e vislumbro em um futuro próximo produzirmos um evento desta envergadura por aqui também. Estamos no caminho certo.

*David Abuhad, formado em Engenharia de Produção pela PUC-PR, com passagens em cursos de Estratégia e Gestão na FGV-SP e na Stanford Graduate School of Business, é o CEO do VejoaoVivo, plataforma que disponibiliza imagens em tempo real de várias partes do país.