Empolgada, Lenovo diz estar se preparando para lançar smartphones fora da China

Por Redação | 14 de Agosto de 2014 às 13h07

A aquisição da Motorola pela Lenovo já está rendendo bons frutos para a fabricante chinesa de computadores. No relatório financeiro para o primeiro trimestre deste ano, a companhia sediada em Pequim revelou que sua receita cresceu 23% e atribuiu a forte alta à divisão de smartphones, cujas vendas cresceram rapidamente nos últimos três meses.

Nesse período de tempo, a Lenovo disse que a arrecadação líquida foi positiva e de US$ 214 milhões. O montante é superior ao apresentado no mesmo período do ano passado (US$ 174 milhões) e à expectativa de analistas de mercado, que previa uma alta de US$ 202 milhões.

Pode-se dizer que a alta está diretamente relacionada às fortes vendas de smartphones da empresa principalmente na China. De acordo com um relatório recente da IDC, a companhia já desbancou a sul-coreana Samsung e se tornou a principal vendedora de aparelhos do tipo na China. No resto do mundo, a Lenovo disse que as vendas cresceram 39% e que há mais espaço para crescimento.

"Nós ainda vemos potencial para vender mais smartphones, mas não o faremos mirando grandes margens de lucro", disse o presidente executivo Yang Yuanqing sinalizando que o caminho escolhido pela Lenovo é mesmo o de aparelhos de baixo custo.

Ainda de acordo com o executivo, este é o caminho "mais saudável" que pode-se trilhar, tendo em vista os demais concorrentes chineses que "só visam o crescimento para atrair mais investidores". Em entrevista à Reuters, Yang disse não acreditar nesse modelo de negócios e que por isso apostará mais nos mercados fora da China, principalmente no sudeste asiático e no leste europeu. "Nesses locais as taxas de crescimento estão sendo de 300% a 500%, aproximadamente", comentou o executivo.

Os esforços da Lenovo em atuar no segmento de dispositivos móveis são justificados. Embora 82% de toda a verba arrecadada pela empresa ainda venha da venda de computadores pessoais, este é um mercado que está se retraindo a cada dia. Para se ter uma ideia, somente no último levantamento as vendas dessas máquinas sofreram retração de 3,7%.

Ainda não se sabe com exatidão qual será a estratégia adotada pela companhia para os mercados fora da China, mas são grandes as chances dela ressuscitar a marca Motorola e apostar em aparelhos de baixo custo e de boa relação custo-benefício, como tem sido o caso dos Moto E, G e X. Contudo, antes de seguir adiante, a aquisição da fabricante norte-americana de celulares ainda está aguardando aprovação do órgão regulador dos EUA e todo o processo só deve ser concluído no fim deste ano.

Se tudo ocorrer conforme o planejado, Yang espera reaver o valor investido na compra da Motorola em até seis trimestres. Até lá, talvez tenhamos sorte de ver novos aparelhos da pioneira no ramo de telefonia móvel nas prateleiras.

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