Em meio a crise, CEO da IBM terá aumento no salário

Por Redação | 02 de Fevereiro de 2015 às 12h34

Poderia ser uma daquelas notícias relacionadas à política nacional, mas desta vez a informação parte da própria IBM. Em meio a uma grave crise que está levando os valores das ações da companhia a patamares negativos e que também vai resultar na demissão de 26% de sua força de trabalho, a companhia está aumentando o salário de sua CEO, Ginni Rometty, e concedendo a ela boa parte dos bônus oriundos de 2014.

Porém, não se trata de um movimento arbitrário, como normalmente acontece no Brasil, mas sim de uma medida que vem para cumprir normas trabalhistas dos Estados Unidos e políticas internas da própria IBM. De acordo com o relatório financeiro mais recente liberado pela companhia, a executiva deve receber um aumento de US$ 100 mil em seus pagamentos neste ano, além de US$ 13,3 milhões em ações para serem coletadas daqui a três anos.

No total, então, seu salário anual passa a ser de US$ 1,6 milhão em 2015, um valor que, claro, é alto, mas que não é incomum no mundo da tecnologia, principalmente quando se fala em uma empresa do tamanho da IBM. A principal questão, aqui, é o tamanho do gasto, principalmente se levarmos em consideração a situação financeira em que a companhia.

Em 2013, já antecipando problemas financeiros e vendo suas margens de lucros diminuírem, Rometty e outros executivos do alto escalão da IBM decidiram por abrir mão de seus bônus para reduzir o impacto disso na companhia. Espera-se que a mesma atitude também seja tomada neste ano, mas, por enquanto, essa informação ainda não foi divulgada pela empresa.

Segundo o Business Insider, caso tal ação não seja realizada, devem se fortalecer os coros para que ela deixe a diretoria da empresa. Apesar de ter tomado decisões consideradas positivas pelo mercado, Rometty e sua diretoria são duramente criticados pela insistência em um segmento de mercado que, para muitos, está defasado – o de servidores e infraestrutura física –, além da demora para se integrar a sistemas de computação nas nuvens que, cada vez mais, são essenciais no mercado de tecnologia.

Mais do que isso, as notícias sobre um aumento e recebimento de bônus podem reduzir ainda mais a moral entre os funcionários da IBM, que convivem agora com a expectativa de perderem seus empregos. Em uma enquete do site Glassdoor, especializado em recursos humanos, a CEO recebeu a aprovação de apenas 48%, mostrando que os trabalhadores de uma das mais tradicionais empresas de tecnologia do mundo não andam muito satisfeitos com os rumos atuais.

Entenda o caso

Na última semana, uma reportagem publicada pela revista americana Forbes afirmou que a IBM iniciaria um dos maiores processos de demissão em massa da história, demitindo cerca de 430 mil pessoas. Esse número representaria cerca de 26% da força total de trabalho da companhia e as dispensas estariam espalhadas por todos os escritórios globais da empresa.

Entre os mais afetados estariam os setores de mainframes e servidores físicos, aqueles que, no passado, representaram a glória da IBM e, agora, são citados por todos como uma relíquia do passado. A dificuldade em fazer a transição para uma arquitetura conectada e focada no cloud computing seria o principal motivo por trás da reestruturação. Decisões equivocadas de CEOs anteriores também seriam apontadas como causas para os problemas atuais, como a comercialização da plataforma Watson para terceiros e a insistência em se manter “tradicional”.

As dispensas devem afetar todos os segmentos da empresa, desde áreas operacionais até setores executivos. O alto escalão da empresa, porém, deve permanecer como está, apesar de analistas de mercado indicarem que uma mudança na diretoria também seja necessária para renovar a confiança do mercado na IBM e injetar sangue novo em suas decisões administrativas.

Apesar da movimentação estar marcada apenas para meados do mês de fevereiro, funcionários afirmam, em off, que as demissões já começaram. Oficialmente, porém, a IBM não se pronunciou sobre o assunto.

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