Em busca de independência, Uber compra serviço de mapas DeCarta

Por Redação | 04 de Março de 2015 às 14h06

Parece que um dos grandes pontos do Uber em sua expansão para mais territórios ao redor do mundo também passa por uma limpeza da própria casa. Nesta semana, a empresa confirmou a aquisição do DeCarta, um dos mais antigos serviços de mapas em operação, uma transação que vem com o objetivo de tornar a companhia um pouco mais independente de grandes nomes como Google e Apple.

A ideia, aqui, é entregar os serviços de localização, rotas e mapeamento pelas próprias mãos, em vez de utilizar serviços – gerando tráfego e pagando royalties – para terceiros. A aquisição, que não teve valor divulgado, faria parte dos planos envolvidos na recente rodada de investimentos recebida pelo Uber, que teve a participação até mesmo do Baidu, um dos grandes parceiros da plataforma em sua chegada ao mercado da Ásia.

Como apontou reportagem do Wired, a negociação também mostra um distanciamento ainda maior entre Google e Uber. A gigante das buscas foi uma das grandes apoiadoras do serviço de transportes em seu crescimento, além de ter capital investido na companhia. Recentemente, porém, a empresa de Mountain View já falou em criar sua própria plataforma do tipo, e muitos analistas acreditam que essa separação teria a ver com as recentes polêmicas nas quais a parceira se envolveu.

Entre as tensões recentes estariam denúncias de crimes perpetrados por motoristas do Uber. Na Índia, por exemplo, existe a confirmação de um estupro de uma passageira, enquanto as acusações de assédio sexual se acumulam em boa parte das cidades em que o Uber atua. Tudo, acredita-se, devido a falhas no processo de seleção de funcionários para a plataforma, que não levaria em conta antecedentes criminais nem verificações básicas. Isso sem falar nas denúncias de que há pouco cuidado com as informações pessoais dos usuários, o que poderia levar a ataques hackers ou quebras de sigilo.

Por outro lado, a parceria entre Google e Uber pode parecer oportuna principalmente para o serviço de transportes, principalmente quando se leva em conta o desenvolvimento de tecnologias como carros mais econômicos ou que se dirigem sozinhos. Aqui, a expertise do serviço de transportes poderia ser a chave para um desenvolvimento melhor dos trabalhos, já que a empresa está efetivamente nas ruas, todos os dias, e conhece bem esse mercado.

Mas também não parece ser o caso, já que os projetos desse tipo parecem estar sendo tocados pelo Google sem a participação de seu parceiro. O Uber, inclusive, já anunciou uma aliança com a Universidade Carnegie Melon para a produção de seus próprios carros automáticos que, claro, necessitariam de um serviço de mapas dedicado – o que explicaria a compra da DeCarta.

Apesar de o Uber ter confirmado a compra da empresa, ainda não foi revelado exatamente como tudo vai funcionar daqui em diante. A DeCarta foi um dos parceiros do Google no desenvolvimento do Maps e também trabalha junto com a GM e a Samsung na produção de serviços proprietários de mapeamento. A ideia é que tais amizades continuem, menos, claro, com a gigante das buscas, de quem a plataforma de carros privados parece cada vez mais disposta a manter distância, apesar de não falar isso com todas as letras.

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