Em Manaus, Samsung vai dobrar equipe de desenvolvimento de games ainda neste ano

Por Rafael Romer | 01 de Setembro de 2014 às 11h41
photo_camera Patrícia Neves/Divulgação

De Manaus, AM*

Pela primeira vez, a Samsung abriu alguns detalhes sobre seus planos para o SIDIA (Samsung Instituto de Desenvolvimento para Informática da Amazônia), centro de pesquisa e desenvolvimento mantido em Manaus (AM) e normalmente fechado a sete chaves pela empresa.

Visitamos o centro na última quinta-feira (28) - e só para entrar já foi necessário deixar bolsas e mochilas do lado de fora, passar por detectores de metal e ainda inutilizar as câmeras do celular com adesivos -, a mensagem, no entanto, foi bem clara: a Samsung não quer que seus dispositivos fiquem para trás na onda dos games mobile.

Na unidade, que existe na capital amazonense desde 2003, o foco atual é no desenvolvimento do setor para as plataformas móveis da Samsung, como smartphones e tablets, com o objetivo de criar mais conteúdos exclusivos para seus produtos como forma de diferenciação para o usuário final

"Hoje as pessoas estão interessadas não apenas nos dispositivos, mas no serviço que eles são capazes de oferecer", explica o gerente do SIDIA, Álvaro Gonçalvez. "Há casos em que a venda só foi definida pelo serviço que conseguimos desenvolver, que agrega valor ao dispositivo".

Apesar de já ter se aproximado bastante do iOS em alguns quesitos, para muitos usuários o iPhone ainda leva a vantagem sobre o Android pela oferta ampla de games e aplicativos desenvolvidos para a plataforma fechada da Apple. Para diminuir o gap do sistema usado em suas plataformas, a Samsung montou em outubro do ano passado uma equipe dedicada ao desenvolvimento de games no SIDIA.

"A iniciativa partiu da Samsung por uma necessidade de demonstrar todas as capacidades de hardware dos dispositivos da empresa", disse o coordenador da equipe, André Araújo. "Os jogos que nós vamos desenvolver não tem função de monetização, o principal objetivo é mostrar o que os produtos podem fazer".

O time foi apelidado de Black River, em referência ao gigantesco Rio Negro que margeia a cidade de Manaus, e conta atualmente com 22 pessoas com diferentes formações e origens. A expectativa da empresa agora é dobrar o time até o final do ano.

Atualmente a equipe é formada por quatro norte-americanos responsáveis pela coordenação, além de quatro manauaras. Os demais profissionais foram "importados" de outras regiões do país. Questionado pelo Canaltech, Gonçalves afirmou que a expectativa da empresa é incluir mais funcionários do Amazonas no time, esforço, em parte, que dependerá do desenvolvimento do ecossistema local, o que deve contar com a ajuda de outra inciativa da empresa na cidade, o centro de treinamento Ocean.

A equipe já lançou o primeiro jogo desenvolvido totalmente pelo Black River em julho deste ano, o Galaxy 11: Invasion. O mini-game do gênero "runner" foi criado como parte da campanha de marketing da empresa para a Copa do Mundo e reúne os onze jogadores que participaram como personagens jogáveis. Das três fases disponíveis até agora, uma delas é no Rio de Janeiro.

O jogo teve apenas 4 mil downloads e não chegou a ser um hit na Google Play – o link para seu download, aliás, já está até desativado –, mas isso não desanimou o projeto da empresa, que tem como meta desenvolver um novo jogo por ano. A empresa não abriu números sobre o quanto investiu no Black River.

Samsung Games

O músico paulista Antônio Teoli foi um dos profissionais chamados pela Samsung para Manaus para desenvolver as trilhas sonoras dos games do Black River, no SIDIA (foto: Patrícia Neves/Divulgação)

Reforço no SIDIA

O SIDIA é atualmente um dos três centros do tipo mantidos pela empresa no Brasil - um dos treze países que possui equipes dedicadas a P&D fora da sede da Samsung , na Coreia do Sul. Além do centro de Manaus, a empresa mantém ainda outras unidades montadas em São Paulo e em Campinas.

O centro manauara deverá receber um reforço significativo no quadro de funcionários até o final deste ano, com 200 novas posições previstas para serem abertas. Atualmente, são 420 profissionais divididos entre os setores de pesquisa e desenvolvimento no local – 60% deles de Manaus.

Segundo a empresa, anualmente o SIDIA mantém cerca de 13 projetos de produtos e serviços da Samsung, divididos em áreas como saúde, educação, desenvolvimento de software e usabilidade – além de games, é claro.

Normalmente, metade dos projetos fica alinhado às estratégias globais da empresa, enquanto a outra metade é focada em soluções e novos produtos especialmente para o mercado brasileiro e latino-americano.

A Samsung não divulga os investimentos no SIDIA, mas afirma que investe anualmente US$ 13,6 bilhões em pesquisa de desenvolvimento globalmente, o que representa 6,3% das vendas totais da companhia. A empresa estima que 26% do seu total de funcionários, ou cerca de 65 mil colaboradores, esteja dedicado somente à P&D.

*O repórter viajou para Manaus a convite da Samsung.

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