Educação é prioridade de "Vaquinhas" online, mas faltam projetos

Por Redação | 03.06.2014 às 09:22

O chamado crowdfunding, financiamento coletivo, ou melhor, a popular "vaquinha online", tem engajado diversas pessoas na obtenção de recursos para a realização de iniciativas, sejam elas filantrópicas ou comerciais, que atendam interesses em comum. E uma das áreas em que mais pessoas têm depositado esperança com tais iniciativas é a educação. Apesar disso, a área também é uma das conta com o menor número de projetos de acordo com uma pesquisa realizada pelo site Catarse.

A pesquisa, chamada de "Retrato do Financiamento Coletivo do Brasil", apresentou um questionário a 3.336 pessoas de agosto a setembro do ano passado. Das 26 áreas que constavam na pesquisa, incluindo Religião, Negócios, Transporte/Mobilidade e Ciência e Tecnologia, a Educação encabeçou a lista e mostrou que a área é a preferida dos colaboradores. O engajamento das pessoas em projetos que visam o financiamento de estudos é tão grande que já existem plataformas dedicadas exclusivamente a esse tipo financiamento.

Nos Estados Unidos, a DonorsChoose já arrecadou mais de US$ 243 milhões para mais de 458 mil projetos, ajudando mais de 11 milhões de estudantes em 55 mil escolas.

No Brasil, o site Formigueiro, primeira plataforma de crowdfunding do país voltada à Educação, foi fundado por três estudantes universitários: Gabriel Richter, Pedro Thomas e Renann Ferreirinha. Inspirado no DonorsChoose, o site oferece projetos de baixo custo para escolas públicas. Em nove meses, o Formigueiro já juntou R$ 8 mil para seis projetos, beneficiando mais de 250 estudantes.

"A gente lançou o site em agosto, com diversas dúvidas se ia funcionar, mas está dando muito certo. O meu sonho é que cada escola pública brasileira tenha ao menos um projeto financiado pelo 'O Formigueiro'", disse Ferreirinha, de 20 anos, ao Estadão. "Eu fiz uma escola pública de qualidade semelhante às mais caras do Rio. Fui transformado pela educação e quero multiplicar isso".

O valor máximo que cada projeto pode arrecadar é R$ 2 mil e, por mais que possa parecer insuficiente, o recurso é bem aproveitado pelo corpo docente das instituições. O repasse da secretaria para despesas de manutenção (que não inclui o salário dos funcionários) é, em média, de R$ 2.500 por unidade escolar.

"Há um compromisso na rede de fazer com qualidade e gastando pouco. Em outras palavras, somos pobres, sabemos disso, mas temos um compromisso de ser os melhores", afirma o secretário adjunto de educação de Sobral, no Ceará, David Pitombeira.