EUA: testes com drones civis começam em junho de 2014

Por Redação | 02.01.2014 às 10:05
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Se 2013 foi o ano dos gadgets vestíveis (Google Glass, smartwatches, Oculus Rift e afins), 2014 promete ser o ano da tecnologia não-tripulada. Isso porque o governo dos Estados Unidos deu o primeiro passo para um futuro dominado pelos aviões teleguiados, os chamados "drones".

Segundo a agência de notícias Reuters, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) anunciou os primeiros seis Estados norte-americanos onde empresas poderão testar os dispositivos voadores com finalidades civis. São eles: Alasca, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Texas e Virgínia. Universidades e companhias destas localidades poderão fazer experimentos para ampliar os vários tipos de aplicações dos drones.

"Estes locais de teste nos darão informações valiosas sobre como assegurar a melhor introdução dessa tecnologia avançada nos céus do país", disse em comunicado Anthony Foxx, secretário da FAA. A instituição afirma que a seleção dos locais levou em consideração questões geográficas, de clima, localização e infraestrutura em solo, além do uso dos riscos e usos do espaço aéreo.

Os testes com esses equipamentos começarão daqui seis meses, e as operações irão durar até fevereiro de 2017. A Universidade do Alasca deve se focar na cobertura de zonas climáticas, enquanto que o Aeroporto Internacional de Griffins, no noroeste do Estado de Nova York, vai estudar a integração dos drones ao tráfego aéreo da costa leste. Já o Departamento de Comércio de Dakota do Norte cuidará da tecnologia usada nas aeronaves, e a Universidade A&M de Corpus Christi, no sul do Texas, estudará normas e procedimentos de segurança. A Universidade Virginia Tech, ao leste do Estado, vai avaliar os riscos técnicos e operacionais.

Os drones são usados principalmente pelas Forças Armadas, mas governos e empresas têm planos de utilizar os objetos em outras áreas do mercado. A Amazon, por exemplo, anunciou o Prime Air, um ambicioso projeto que pretende fazer entregas de produtos de até 2,27 kg aos consumidores em menos de 30 minutos. O serviço será composto por "octocópteros" (drones com 8 hélices) e deve entrar em operação a partir de 2015.

Embora a decisão da FAA estimule a produção, estudo e benefícios econômicos dos drones nas regiões selecionadas, o uso dos aviões não-tripulados tem gerado discussões sobre segurança e privacidade. Em 2012, o Congresso exigiu que a FAA estabelecesse leis de utilização desses dispositivos, e oito Estados americanos já aprovaram medidas que condenam criminalmente quem usar os artefatos voadores para fins de vigilância e espionagem.

"Imagine um mundo no qual é impossível sair de casa sem ser monitorado e gravado pelos drones", disse Catherine Crump, advogada da União Americana pelas Liberdades Civis. A FAA advertiu que as operadoras de drones deverão apresentar um projeto por escrito para especificar como os dados obtidos pelos aviões são coletados e utilizados, mas nada específico que garanta a privacidade dos usuários. A Administração Federal de Aviação alega que as empresas terão de se ajustar às normas já existentes em relação ao assunto.

A expectativa é que a utilização desses dispositivos aumente nos próximos anos e crie mais de 100 mil novos postos de trabalho, com gastos globais de aproximadamente US$ 11,6 bilhões até 2023 - um aumento de mais de US$ 80 bilhões para a economia dos EUA apenas na primeira década após a integração dessa tecnologia à aviação. Cerca de 7.500 drones devem começar a voar no céu americano nos próximos cinco anos.