Drones da Amazon fazem entregas em menos de 30 minutos em testes no Canadá

Por Redação | 30.03.2015 às 14:18
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Em testes desde o final de 2013, o Primer Air é mais um projeto ambicioso da Amazon que visa acelerar o processo de entrega aos consumidores utilizando os famosos drones. A novidade é que, após ser barrada pela Agência Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos, a gigante do varejo moveu seus experimentos para o Canadá, onde conseguiu utilizar os equipamentos sem muitas restrições.

Há alguns dias, a FAA concedeu uma licença à companhia para realizar testes com drones em modo experimental, e não comercial, para entregas nos EUA. Acontece que, segundo a Amazon, o documento se tornou ultrapassado diante dos mais de seis meses de espera para ganhar permissão da agência. Por conta disso, a própria Amazon declarou que levaria os testes para outros países, pois "em nenhum outro lugar fora dos Estados Unidos temos sido obrigados a esperar mais do que um ou dois meses para começar o testes".

Dito e feito. Ao que tudo indica, o Canadá ofereceu regras bem mais leves quanto à utilização dos drones para entregas comerciais. Os testes têm acontecido em um local secreto da Colúmbia Britânica e são monitorados por um ex-astronauta da NASA e um designer que ajudou a desenvolver o Boing 787.

Os drones usados pela Amazon no projeto Prime Air vão realizar entregas em uma faixa de altitude entre 200 e 500 pés, região que não compromete o trânsito de aviões de grande porte e que não oferece o risco de colisão com prédios. Os aparelhos poderão viajar a cerca de 95 quilômetros por hora, transportar produtos de até 25 kg e, dependendo do tamanho do pacote, fazer entregas em menos de 30 minutos.

Além disso, os objetos voadores serão capazes de detectar obstáculos durante o voo, como árvores e edifícios maiores, e desviar automaticamente. As poucas dificuldades encontradas pela companhia envolvem campos eletromagnéticos e rajadas de vento mais intensas durante o percurso, que podem comprometer o funcionamento do drone ou fazer com que o dispositivo perca a mercadoria no trajeto.

Recentemente, a FAA regulamentou regras que impedem a utilização da maioria dos voos de drones para fins comerciais, com restrições relacionadas à entrega de pedidos a clientes. Entre outras restrições, estão a limitação de voos de drones comerciais a uma altura superior a 150 metros, a possibilidade de utilizar drones apenas durante o dia e a exigência de que os operadores precisam manter os drones à vista o tempo todo. Em contrapartida, países como o Canadá, França, Austrália e Reino Unido avançam com a regulamentação de voos de drones para empresas e objetivos comerciais.

E no Brasil?

Por aqui, a situação é bem distante até mesmo dos EUA, que ainda são bastante rígidos quanto ao uso de drones para fins comerciais. No Brasil, os drones ainda não possuem uma regulamentação específica, um tipo de "manual" sobre o que pode e o que não pode ser feito, quais locais eles podem sobrevoar ou quem pode adquirir um aparelho desses.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é o órgão responsável pela liberação de uso comercial de vants (veículos aéreos não tripulados) no país. Atualmente, só são permitidos voos experimentais ou para fins de esporte e lazer, e todos os equipamentos devem seguir normas de aeromodelismo. Até o momento, apenas cinco drones estão autorizados a operar no país, sendo dois israelenses de 1.100 kg cada usados pela Polícia Federal, um que pesa menos de dois quilos e é usado pelo governo para vistorias em áreas de mineração, e mais duas unidades da Xmobots, uma empresa do setor.

Além da aprovação da Anac, os vants precisam de autorização da Anatel. Acontece que os drones funcionam em uma faixa de radiofrequência – assim como a faixa de internet móvel 3G e 4G, por exemplo –, responsável pela transmissão de sinal que permite controlar o aparelho remotamente. Como ainda não existe frequência, nem equipamento homologado para uso profissional no Brasil, empresas do setor enfrentam dificuldades para tornar a tecnologia mais barata e acessível aos usuários.

Era esperado que regras para esse tipo de equipamento fossem sancionadas até o final do ano passado, o que não aconteceu.

Fonte: The Guardian