Dica da Microsoft ajuda polícia a prender pedófilo nos EUA

Por Redação | 07.08.2014 às 15:40
photo_camera Blog Kawanamu

Uma dica enviada pela Microsoft às autoridades ajudou a polícia do estado americano da Pennsylvania a prender um suspeito de pedofilia. De acordo com as informações oficiais, ele estaria tentando enviar duas imagens ilegais por meio de uma conta de email no serviço live.com, que pertence à companhia.

O homem, com idade na casa dos 20 anos, foi preso em 31 de julho e aguarda decisão da justiça em uma penitenciária estadual. A primeira audiência sobre o caso está marcada para acontecer na próxima semana, mas desde já, documentos oficiais vazados sobre o caso revelam a participação da Microsoft na prisão.

Segundo Christopher Hill, um dos policiais envolvidos na investigação, foi a empresa quem enviou os primeiros indícios que levaram à captura. De acordo com as informações da BBC, o acusado teria obtido as imagens a partir do Kik, um aplicativo mensageiro instantâneo, que era utilizado como sua principal fonte para recebimento e compartilhamento de pornografia infantil em seu celular. A investigação, de acordo com o oficial, continua em andamento.

Essa não é a primeira vez que uma empresa de tecnologia é citada como responsável pelo início de investigações do tipo. Na última segunda-feira (04), publicamos aqui mesmo no Canaltech a informação de que o Google também teria ajudado a prender um suspeito de pedofilia em Houston, também nos Estados Unidos. Mais uma vez, o criminoso utilizava o email para armazenar e enviar fotos ilegais, com uma investigação revelando mais imagens sob o domínio dele.

A Microsoft ainda não se pronunciou sobre o caso, mas nos termos de uso de seus serviços, afirma que pode utilizar “tecnologias automatizadas” para detectar imagens de pornografia infantil ou outros tipos de comportamentos abusivos. A ideia, claro, é manter a saúde de todo o sistema e identificar potenciais criminosos.

Ouvida pela BBC, Emma Carr, do grupo de proteção à privacidade Big Brother Watch, elogia a ação, mas pondera que é preciso tomar cuidado para que prisões errôneas não sejam realizadas. Para ela, não apenas a Microsoft, mas todas as empresas de tecnologia precisam informar aos usuários sobre os sistemas utilizados para esse tipo de identificação, além de especificar que tipo de atividade ilegal é monitorada e garantir que não existam falsos positivos.

É em uma possível tentativa de resolver essa última questão que nem o Google nem a Microsoft entraram em contato direto com a polícia. No caso da Pennsylvania, em específico, foi o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas que foi acionado, com a organização chamando as autoridades para dar continuidade à investigação.

Seria essa a maneira de evitar falsos positivos e garantir uma triagem, sem que a Microsoft assuma uma posição de juiz. A empresa não costuma falar publicamente sobre seus sistemas, mas já disse possuir tecnologias avançadas de identificação de imagens, além de outras que criam “impressões digitais” das fotos para facilitar o rastreamento e localização. A tecnologia se chama PhotoDNA e também é usada pelo Google, além de redes sociais como o Twitter e o Facebook.

É uma iniciativa que, nesse caso, foi utilizada para o bem. Mas que, nas mãos erradas, poderia facilitar e muito a espionagem dos usuários, seja em busca de ganhos, nas mãos de empresas, ou vigilância, no caso dos órgãos governamentais. E, nesse caso, os usuários não podem fazer nada a não ser torcer para que o uso de tais sistemas sejam feitos de maneira “sadia”.