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De olho no Brasil, presidente da Motorola critica preços do iPhone e Galaxy S

Por Redação | 15 de Maio de 2014 às 11h43
Divulgação
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Nos últimos 20 anos, o mercado de tecnologia mostrou como é arriscado chegar à liderança sem o lançamento de produtos realmente inovadores. Como tudo hoje em dia evolui de uma forma mais rápida, as empresas preciam ter muito mais dinamismo e saber como desenvolver novos projetos que consigam agradar velhos e novos usuários, ao mesmo tempo que saem de uma "zona de conforto" e comodismo.

A Motorola é uma dessas companhias que viu seu império cair com a chegada da Apple, Samsung e até mesmo da Nokia, que agora se chama Microsoft Mobile. Mas, aos poucos, a gigante norte-americana tenta se reerguer em uma indústria cada vez mais competitiva e os resultados aparecem agora, quase um ano após o anúnciodo Moto G e do Moto X, excelentes aparelhos que levam em consideração o custo-benefício para o usuário final. E para o presidente da Motorola, o sucesso dos dispositivos é um forte indicativo de que a era dos smartphones de US$ 600 está perto do fim.

Em entrevista à revista Época, Rick Osterloh diz que não acha justo empresas como Apple e Samsung venderem aparelhos tão caros para o consumidor - no caso, o iPhone e o Galaxy S, respectivamente - porque os celulares "não valem isso". "O principal desafio da Motorola é mostrar essa questão na prática. Lançar aparelhos tão sofisticados quanto [os dos concorrentes] e com preços mais acessíveis", explica.

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Um exemplo é o próprio Moto X, que possui características de smartphone topo de linha e chega a custar menos da metade do valor de um celular de última geração. Para se ter ideia, o Moto X pode ser encontrado hoje no Brasil por menos de R$ 1 mil, enquanto o iPhone 5s e o Galaxy S5 não saem por menos de R$ 2.600. Há ainda uma opção mais barata, o Moto G, que custa R$ 799, e o mais recente, o Moto E, um celular de entrada que sai por R$ 529.

Os aparelhos estão no Brasil há cerca de um ano e fizeram com que a companhia saltasse para a segunda posição das empresas que mais vendem smartphones no país, ficando atrás apenas da Samsung. "Por muitos anos o Brasil tem sido um dos nossos principais mercados. O fato de nós fazermos um anúncio global no Brasil diz muito sobre a importância que o país tem para os negócios da Motorola. Acho que conseguimos encontrar o melhor balanço entre desempenho e preço e foi o que nos ajudou a relançar a empresa globalmente", diz o executivo.

Osterloh, que assumiu a presidência da Motorola recentemente, afirma que o preço é um fator fundamental para determinar o sucesso de um aparelho, mas que também é preciso ter design e atualizações constantes de software. "Nossa estratégia de software é justamente 'abraçar' o Android puro de modo a conseguir fazer as atualizações dos aparelhos de forma mais rápida do que nossos concorrentes. Hoje, 80% de nossos usuários de Moto X e do Moto G têm a versão mais recente do Android, a KitKat", comenta.

A afirmação vem como uma crítica à Samsung, que não oferecerá a atualização para o Android 4.4 KitKat em alguns dos seus dispositivos, como é o caso do Galaxy S3 e do Galaxy S3 mini vendidos no Brasil. Outro ataque à sul-coreana foi em relação às inúmeras funções de seus smartphones. Segundo a revista INFO, a Motorola acredita que só é importante oferecer recursos que sejam realmente relevantes para o consumidor, em vez de instalar várias ferramentas que acabam lotando a memória dos aparelhos.

Rick Osterloh

Rick Osterloh, presidente da Motorola (Foto: Divulgação).

Sobre a aquisição da empresa pela Lenovo, Osterloh afirma que a Motorola ainda é parte do Google e que o processo de transferência "está em análise pelas autoridades competentes". A expectativa é que a conclusão do negócio de US$ 2,91 bilhões aconteça até o final deste ano. "Nossa intenção é que a marca Motorola continue a ser usada. A Lenovo enxerga valor na marca Motorola. Somos a empresa que inventou o negócio de aparelhos celulares. Achamos que isso é uma característica forte o suficiente para nos mantermos como uma marca separada", diz.

Smartwatches

O presidente da Motorola fez um breve comentário sobre o relógio inteligente Moto 360. Sem dar muitos detalhes, ele afirma que o acessório chegará ao Brasil por um valor mais alto do que o do Moto E (R$ 539), mas que "não será um produto muito caro". O executivo também criticou os modelos de smartwatches vendidos atualmente. "Ainda é uma categoria recente e muitos relógios que existem no mercado são horríveis e difíceis de usar. O nosso desafio com o Moto 360 foi fazer um aparelho que realmente pareça um relógio moderno. Ele é só o começo de um mercado que ainda vamos explorar muito", complementa.

Mark Randall, também executivo da empresa, concorda que os relógios disponíveis no mercado não acrescentam nenhuma funcionalidade significativa ao dia a dia do usuário. "Olhamos para o Moto 360 e o comparamos com o que todas as outras companhias fizeram. Para ser honesto, pensamos que todos eles [os smartwatches] são uma porcaria", disse Randall, em entrevista ao Trusted Reviews.

Randall ainda comentou que o Moto 360 é um dispositivo que pode resolver os problemas que ninguém conseguiu solucionar no segmento da tecnologia vestível - algo que, na opinião de especialistas, só deve ser alcançado com o novo aparelho da Motorola ou do comentado iWatch, da Apple. "As pessoas dizem que esse [o Moto 360] finalmente é um dispositivo que elas usariam em seus braços ao invés de escondê-los com vergonha - isso porque ainda nem falamos de suas funcionalidades", conclui.

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