'Criptografar tudo é a chave contra espionagem', diz presidente do Google

Por Redação | 21 de Novembro de 2013 às 12h51
photo_camera Divulgação

A internet cresceu nos últimos vinte anos, mas sua expansão por todo o planeta ainda não foi suficiente para tornar este espaço virtual em um ambiente 100% livre. Nações como China e Coreia do Sul são exemplos de como o governo controla o que milhões de usuários estão acessando (ou não podem acessar).

No entanto, há quem acredite que a rede um dia se tornará, de fato, um local de completa liberdade. Em uma palestra na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, o presidente executivo do Google, Eric Schmidt, disse que a censura em todo o mundo pode ter fim daqui dez anos. As informações são do site Bloomberg.

Durante seu discurso, Schmidt criticou os países que restringem a liberdade de expressão na web e defendeu uma internet livre da vigilância do governo. Para o empresário, o uso da criptografia nas atividades online será fundamental para ajudar as pessoas a superar a espionagem comandada por grandes potências mundiais, além de evitar que as organizações censurem os usuários na rede.

"Criptografar tudo é a solução contra a vigilância do governo", disse o presidente da gigante de Mountain View. Ele também descreveu a vinda de um movimento chamado "idade de rede", em que os próprios usuários de internet vão criar, em conjunto, canais privados protegidos por criptografia para escapar da espionagem.

Várias empresas de tecnologia já anunciaram o desenvolvimento de novas ferramentas para proteger suas redes e seus usuários, incluindo Facebook e Yahoo. No caso do Google, Eric Schmidt revela que a companhia está trabalhando em um recurso que vai permitir aos internautas se comunicar de forma segura e defender seus computadores contra ataques de hackers. "É sempre um jogo de gato e rato [governo vs cidadãos], mas acho que a censura vai acabar perdendo", afirmou.

Censura no oriente

Schmidt é um dos executivos que mais fala sobre o acesso limitado à internet - e é contra essa medida. No início deste ano, o presidente do Google viajou para a Coreia do Norte, um dos países mais desconectados do mundo, para promover a liberdade de expressão na web, mas saiu de lá sem resultados positivos. "Nós falhamos, mas vamos tentar novamente. Não fomos nem convidados a voltar ao país", disse.

O presidente do Google afirmou que sua ida à Coreia do Norte foi alvo de críticas do Departamento de Estado dos EUA, mas que o objetivo não era liberar o uso total da rede logo de imediato. "Queremos apenas permitir que as pessoas de lá se conectem com o resto do mundo. Se elas podem ter alguma conectividade, então o governo pode começar a entender melhor outros sistemas", explicou.

Schmidt também esteve na China há duas semanas, em uma reunião com o presidente Xi Jinping e o premier Li Keqiang. Os assessores dos líderes do governo chinês teriam sido acusados de usar as redes sociais para monitorar as atividades dos cidadãos. Recentemente, surgiu uma notícia de que a China possui dois milhões de pessoas que são contratadas para vigiar os internautas - o número é maior do que a quantidade de soldados em exercício no país.

Para Schmidt, tanto controle no acesso à internet vai causar vários movimentos contra a vigilância que o governo não será capaz de impedir. "Assim como as campanhas em favor dos direitos dos homossexuais nos EUA, campanhas comandadas pelos cidadãos chineses não poderão ser controladas ou paradas. É assim que a China vai mudar', disse.

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