Conveniente: contrato de Elop previa recompensa caso a Nokia fosse vendida

Por Redação | 25 de Setembro de 2013 às 13h19

Na semana passada, notícias de que o ex-CEO da Nokia, Stephen Elop, ia receber um pagamento de US$ 25 milhões como resultado do acordo de venda de parte da empresa para a Microsoft circularam pela mídia. Porém, uma reviravolta na história deixou o conselho de diretores da Nokia em maus lençóis na última terça-feira (24), quando o maior jornal da Finlândia alegou que a empresa fez uma declaração falsa sobre o bônus do CEO.

Pressionado pelos meios de comunicação finlandeses e internacionais, o presidente interino da Nokia, Risto Siilasmaa, declarou na última sexta-feira (20) que a estrutura de bônus estipulada no contrato de Elop em 2010 era "essencialmente a mesma" que a dos CEOs anteriores da companhia. Mas o Helsingin Sanomat, maior publicação finlandesa, resolveu revirar arquivos da Securities Exchange Commission (SEC) para investigar o assunto. O jornal então descobriu evidências de que o conselho da Nokia tinha feito mudanças fundamentais no contrato de Elop em comparação com seus antecessores. A principal delas dizia que Elop receberia uma recompensa em caso de venda da companhia.

De acordo com as mudanças implementadas no contrato em 2010, Elop teria direito a um bônus imediato relacionado à queda abrupta no preço das ações ou caso a Nokia passasse por uma "mudança de comando". E a venda da divisão de celulares da Nokia ilustra uma boa mudança de comando, que foi precedida por uma forte queda no preço das ações da empresa. Conveniente e inédito, pois, curiosamente, seu antecessor no cargo de CEO não tinha essa cláusula em seu contrato.

A contratação de Elop sempre gerou polêmica, não apenas por ele ser o primeiro CEO não-finlandês da companhia, mas também porque Elop foi o principal responsável pelo acordo para utilização do sistema operacional Windows Phone nos aparelhos da Nokia, o que gerou uma série de suspeitas em relação a sua ligação com a empresa onde trabalhava, a Microsoft – isso sem contar o fato de que Elop ainda detinha uma parte significativa das ações da companhia norte-americana. Agora parece que os finlandeses vão a fundo nessa história para tentar descobrir a verdade sobre a contratação do executivo pela maior empresa do país e toda a conversa em torno de seu contrato que lhe rendeu uma boa fortuna nessa fase de transição em que ele volta para o alto escalão da empresa de Redmond.

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